Vale sobe 2,85% após balanço do 3º tri

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Vale registra lucro de US$ 1,26 bi no 3º trimestre, mas minério mais barato e problemas em Serra Norte preocupam analistas
As ações da Vale (VALE3) registraram alta de 2,85%, chegando a R$ 61,76 às 10h48 desta sexta-feira (30), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Analistas avaliaram que os resultados ficaram próximos das expectativas, mas emitiram alertas sobre os efeitos do minério de ferro mais barato e das dificuldades operacionais em Serra Norte. A mineradora registrou lucro líquido de US$ 1,26 bilhão no período, queda de 53,3% em relação ao mesmo trimestre de 2023. O Ebitda pro forma somou US$ 3,51 bilhões, recuo de 20,3% em um ano e de 13,7% em relação ao segundo trimestre.
Em relatório assinado por Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, o Itaú BBA destacou que o lucro da Vale ficou 15,5% acima de sua projeção, enquanto o Ebitda veio em linha com o esperado. Vendas maiores e custos de produção menores ajudaram a compensar os preços mais fracos do minério e o encarecimento do frete. Já o BTG Pactual, em análise de Leonardo Correa e equipe, considerou os resultados próximos das expectativas, mas avaliou que o balanço não trouxe mudanças suficientes para melhorar as perspectivas da companhia. "Temos dificuldade em vê-la apresentando bom desempenho no curto prazo", afirmou o BTG Pactual em relatório.
O preço médio recebido pela Vale pelos finos de minério caiu 10% em relação ao segundo trimestre, para US$ 85,10 por tonelada, reduzindo a receita obtida por tonelada vendida mesmo com o aumento dos volumes comercializados. A companhia vendeu 86,3 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 8% sobre o trimestre anterior e acima da expectativa do Itaú BBA, sendo que parte das entregas foi atendida com material já produzido em estoque. A produção em Serra Norte caiu 27% em um ano. Os relatórios apontam dificuldades operacionais relacionadas à proximidade de cavernas, à disponibilidade de minério e ao esgotamento das minas, fatores que podem limitar a recuperação dos volumes produzidos pela Vale. Segundo o BTG, a administração indicou que o volume anual de minério de ferro em 2026 deve se aproximar do limite inferior da faixa prevista, entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.
O Itaú BBA destacou que o custo de produção por tonelada, excluindo compras de terceiros, caiu de US$ 24,10 para US$ 23,10 entre o segundo e o terceiro trimestre, ajudando a compensar os preços menores. Os gastos com transporte marítimo, porém, aumentaram, apesar das operações de proteção financeira contra oscilações do petróleo e do frete. A divisão de metais básicos da Vale registrou Ebitda de US$ 1,11 bilhão, acima das projeções dos dois bancos. O cobre se beneficiou de preços maiores, enquanto o níquel enfrentou despesas adicionais de manutenção. A geração de caixa também foi destaque: o fluxo de caixa livre recorrente chegou a US$ 1,37 bilhão e, com a liberação extraordinária de recursos ligados a incentivos tributários, o total alcançou US$ 2,23 bilhões. Para o quarto trimestre, o BTG recomenda cautela, destacando que o preço de referência do minério de ferro na China estava próximo de US$ 90 por tonelada, abaixo da média do terceiro trimestre, o que pode continuar pressionando as receitas da mineradora. Apesar dos desafios, ambos os bancos mantêm recomendação de compra para a Vale. O Itaú BBA tem preço-alvo de R$ 94 para o fim de 2027, equivalente a potencial de valorização de 52,2% sobre a cotação desta sexta-feira. O BTG também recomenda compra, com alvo de R$ 90, representando possibilidade de alta de 45,7%.



