Valdemar Costa Neto visita Jair Bolsonaro e critica carta de Flávio

Foto: PL/Divulgação
Presidente do PL visita Jair Bolsonaro e diz não ter gostado da carta golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro
O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) não ter gostado da carta de teor golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República. A declaração foi feita após Valdemar Costa Neto se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. "Não gostei", disse Valdemar Costa Neto a jornalistas ao chegar ao condomínio onde Jair Bolsonaro está detido. Sem entrar em detalhes sobre a carta, o dirigente do PL sinalizou que a conversa com o ex-presidente abordaria "muitas novidades" e "toda a situação" do partido. "Estou com saudade do Bolsonaro, tem muito tempo que eu não vejo ele. [...] Vai ser boa a conversa porque eu vou levar muitas novidades para ele, contar como está toda a situação para ele e vai dar tudo certo", declarou Valdemar Costa Neto aos jornalistas presentes.
O encontro entre Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorreu por volta das 9h. A reunião acontece em um momento de reorganização interna do PL, após a derrota de Flávio Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo (25). O petista recebeu 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, contra 59,8 milhões de Flávio, que obteve 48,21%.
Na carta divulgada pelo senador, Flávio Bolsonaro se apresentou inicialmente como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Minutos depois, apagou a publicação e compartilhou uma nova versão, na qual passou a se definir como "líder" do país. O senador manteve as acusações de fraude eleitoral, sem apresentar provas, e afirmou que pretende comandar a oposição ao governo Lula do exterior. Na primeira versão do texto, o documento trazia um brasão histórico da República com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", antiga denominação oficial do país. A posição de Flávio contrasta com a adotada pela direção do próprio PL. Após o segundo turno, o partido divulgou uma nota assinada por Valdemar Costa Neto reconhecendo o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, também afirmou que o núcleo político da candidatura não havia sido informado previamente sobre a saída do país. A carta provocou reações do Judiciário e de apoiadores da campanha. Poucas horas após a divulgação do texto, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reafirmou que as eleições transcorreram dentro da normalidade, com respeito às regras constitucionais.
Logo após a derrota, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes. Ainda assim, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira (27). Informações apontam que ele passou pela Argentina e seguiu em um avião particular para Miami, nos Estados Unidos. Após cruzar a fronteira com a Argentina às 22h50 da terça-feira, Flávio fez escala em Guayaquil, no Equador, e desembarcou às 9h23 (10h23, no horário de Brasília) no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, segundo dados do site FlightRadar24, que monitora a malha aérea internacional em tempo real. A viagem teria surpreendido a cúpula do PL, com membros e participantes afirmando expressamente que ficaram surpresos com as ações do senador. A saída de Flávio do Brasil também foi acompanhada de informações falsas sobre seu paradeiro: enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que ele já havia chegado aos Estados Unidos, o senador ainda estava em território brasileiro. Horas depois, Valdemar Costa Neto convocou uma reunião com dirigentes estaduais para alinhar o discurso e discutir os rumos da legenda.



