Trump silencia após reeleição de Lula no Brasil

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente dos EUA não se pronunciou sobre resultado das eleições brasileiras, enquanto aliados e opositores reagiram rapidamente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retornou à Casa Branca na noite de domingo (25) sem fazer qualquer declaração à imprensa. Até a madrugada desta segunda-feira (26), o republicano permanecia em silêncio sobre o resultado das eleições presidenciais no Brasil, que deram a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. Antes mesmo da divulgação dos resultados, Trump já adotava uma postura de neutralidade. Questionado sobre se apoiava Lula ou Flávio Bolsonaro, o presidente norte-americano respondeu apenas: "Estamos observando".
Essa posição se manteve ao longo dos dois turnos das eleições brasileiras, com Trump afirmando em duas ocasiões que "acompanhava a disputa muito de perto". Enquanto Trump se mantinha em silêncio, líderes de direita de outros países foram rápidos em parabenizar Lula pela reeleição. Keiko Fujimori, do Peru, José Antonio Cast, do Chile, e o presidente paraguaio Santiago Peña emitiram suas congratulações logo após o anúncio do resultado. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também parabenizou Lula, afirmando que "a relação entre o Canadá e o Brasil floresceu" sob a parceria deles.
No Legislativo norte-americano, parlamentares democratas foram os primeiros a se manifestar. O deputado Joaquín Castro, do Texas, parabenizou o povo brasileiro "por exercer o direito de participar da democracia". Já o senador Bernie Sanders, que esteve com Lula em Nova York em setembro, classificou a reeleição do presidente brasileiro como "extraordinária". Nas semanas anteriores ao pleito, Sanders havia enviado ao Departamento de Estado cartas assinadas por ele e por outros deputados de seu partido, pedindo respeito ao processo eleitoral brasileiro e o reconhecimento do resultado das urnas.
Uma terceira carta foi encaminhada à gigante Meta, em razão de acusações de que a empresa teria desfavorecido publicações da campanha petista. A companhia negou ter beneficiado qualquer candidato e afirmou ter seguido as regras impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Do lado republicano, surgiram questionamentos sobre o resultado eleitoral. O senador estadual de Oklahoma, Shane Jett, e Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, manifestaram dúvidas sobre a vitória de Lula. A posição ecoa a do próprio candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, do PL, que não reconheceu o resultado e exige a anulação da reeleição de seu adversário. Com mais de 64 milhões de votos, Lula registrou a maior votação da história do país, vencendo em 61 nações onde brasileiros votaram no exterior, enquanto Flávio Bolsonaro levou 36 países.



