Pnad Contínua aponta menor desemprego desde 2012 no Brasil

Carteira de trabalho e desemprego | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Taxa de desocupação caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, com recorde de 103,6 milhões de ocupados, segundo o IBGE
A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, alcançando o menor patamar registrado para esse período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ficaram em linha com as expectativas de analistas do mercado financeiro. O resultado representa uma queda em relação aos 5,4% registrados no trimestre encerrado em junho e também uma melhora frente aos 5,6% observados no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, o país bateu um novo recorde no número de pessoas ocupadas, com 103,6 milhões de trabalhadores. Apesar dos indicadores positivos, os dados também revelam sinais de desaceleração nas contratações fora do setor da construção civil. Segundo o IBGE, cerca de 5,6 milhões de brasileiros estavam desempregados no trimestre encerrado em setembro, uma redução de aproximadamente 234 mil pessoas em relação ao trimestre anterior, quando o país contabilizava cerca de 5,9 milhões de desempregados.
A queda corresponde a aproximadamente 4% no período e reforça a tendência de redução do desemprego observada nos últimos anos, ainda que o ritmo de crescimento das contratações apresente diferenças entre os setores econômicos. A população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente registrado desde o início da Pnad Contínua. O número representa um crescimento de aproximadamente 581 mil trabalhadores em relação ao trimestre encerrado em junho e um avanço de cerca de 1,2 milhão na comparação anual. O levantamento considera trabalhadores com carteira assinada, empregados sem registro formal, profissionais autônomos, empregadores e servidores públicos. Apesar do recorde geral de ocupação, o número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada permaneceu relativamente estável, em torno de 39,4 milhões. A mesma estabilidade foi observada entre trabalhadores sem carteira, autônomos e empregados domésticos.
Entre os dez grandes setores de atividade econômica analisados pelo IBGE, a construção civil foi o único a apresentar crescimento estatisticamente significativo no número de trabalhadores ocupados. O setor registrou avanço de 2,8%, equivalente à entrada de aproximadamente 210 mil pessoas no mercado de trabalho. O desempenho pode estar relacionado à continuidade de obras, investimentos imobiliários e projetos de infraestrutura. Nos demais setores, as oscilações registradas não foram consideradas estatisticamente significativas, indicando que a expansão do emprego ficou concentrada em atividades específicas. Apesar do crescimento da ocupação, a renda média dos trabalhadores não apresentou variação estatisticamente significativa no trimestre, segundo a Pnad Contínua. Isso significa que o aumento no número de pessoas empregadas não foi acompanhado por uma elevação expressiva dos rendimentos individuais.
A estabilidade da renda é um dos fatores acompanhados por economistas para avaliar a capacidade de consumo das famílias e a evolução do mercado de trabalho. Quando o emprego cresce sem avanço equivalente dos salários, os efeitos sobre o consumo tendem a ser mais limitados, ainda que o aumento da população ocupada contribua para ampliar a quantidade de pessoas com alguma fonte de rendimento. O IBGE também chamou atenção para a possibilidade de que o período eleitoral tenha influenciado decisões de contratação. Segundo William Kratochwill, analista da Pnad Contínua, o trimestre encerrado em setembro costuma apresentar crescimento da ocupação, mas a proximidade das eleições pode ter levado empresas e outros agentes econômicos a adiar decisões de expansão. Essa hipótese ajuda a explicar por que o crescimento significativo do emprego ficou concentrado na construção civil, embora não comprove que as eleições foram diretamente responsáveis pela desaceleração. Economistas também acompanham os efeitos dos juros elevados sobre a atividade econômica. Taxas de financiamento mais altas podem dificultar investimentos, reduzir a demanda por crédito e influenciar decisões de contratação.
Embora o mercado de trabalho continue apresentando indicadores positivos, a estabilidade do emprego em vários setores sugere que as empresas estão adotando uma postura mais cautelosa. O desempenho dos próximos meses será importante para avaliar se a economia conseguirá manter o desemprego em níveis historicamente baixos. A Pnad Contínua considera desempregadas as pessoas com 14 anos ou mais que não estavam trabalhando, mas procuraram uma oportunidade e estavam disponíveis para assumir uma ocupação. Pessoas que não trabalham e não procuram emprego não entram automaticamente na contagem de desempregados. Por isso, a taxa de desocupação deve ser analisada em conjunto com outros indicadores, como população ocupada, participação na força de trabalho e rendimento médio. Os dados divulgados pelo IBGE reforçam a melhora do mercado de trabalho brasileiro, mas também evidenciam que a expansão do emprego ocorre de maneira desigual entre os setores.



