Padilha quer canetas emagrecedoras no SUS

Atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) • Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Ministro da Saúde defende incorporação da semaglutida ao SUS e aponta queda de 70% no preço do medicamento
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou nesta sexta-feira (30/10) a intenção do governo federal de incorporar as chamadas "canetas emagrecedoras" ao Sistema Único de Saúde (SUS). O pedido está em análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), e Padilha espera que o órgão apresente uma sinalização ainda em 2026, com a abertura de consulta pública prevista na sequência. Padilha fez a declaração em Belo Horizonte, durante o anúncio de uma nova unidade do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais, que ampliará a oferta de atendimentos pelo SUS.
O ministro indicou que a semaglutida é o principal foco da proposta, cujo custo já foi estimado por ele em cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. O cenário foi favorecido pelo vencimento da patente do princípio ativo em março de 2026, o que abriu espaço para maior concorrência e produção de medicamentos no país. O governo federal busca aproveitar esse contexto para viabilizar a oferta do tratamento na rede pública. Padilha destacou três frentes de atuação para ampliar o acesso aos medicamentos. A primeira foi estimular empresas nacionais e internacionais a registrar produtos à base de semaglutida. "O Brasil é o país com maior diversidade de medicamentos genéricos e similares registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", afirmou o ministro.
A segunda medida foi barrar, no Congresso Nacional, uma proposta que poderia prorrogar o período de exclusividade da empresa detentora da patente do medicamento. A terceira frente é a possível incorporação dos medicamentos ao SUS, com a elaboração de um protocolo para identificar os grupos de pacientes que poderão se beneficiar do tratamento. "Iniciamos um protocolo específico para identificar quais grupos têm indicação de usar essa medicação. A gente quer trazer para o SUS, para os pacientes com indicação médica, com benefício para todo o sistema de saúde, que seja um direito incorporado ao SUS", disse Padilha.
O ministro citou como exemplo pessoas que estão se preparando para uma cirurgia bariátrica e defendeu que o uso dos medicamentos seja associado a programas de incentivo à prática de atividades físicas e à alimentação saudável. "Com esse protocolo, queremos fechar o uso no SUS. A gente quer que seja um direito incorporado ao SUS", afirmou. Segundo Padilha, os preços dos medicamentos à base de semaglutida caíram até 70% desde a ampliação da concorrência no mercado brasileiro. Até então, a produção do princípio ativo era associada à farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. "Hoje é possível comprá-lo por menos de R$ 400", afirmou o ministro. A proposta de incorporação da semaglutida ao SUS ainda depende da análise da Conitec e de consulta pública, mas o governo sinaliza que avança nas frentes necessárias para tornar o tratamento acessível à população com indicação médica.



