OMS diz não ter visão completa do caso de contaminação na Rússia

Sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, na Suíça - Foto: Hector Christiaen / Shutterstock.com
A OMS afirma não conseguir avaliar integralmente o risco após morte de funcionária de laboratório por suspeita de peste pneumônica na Sibéria
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta quarta-feira (7) que não consegue avaliar completamente o caso envolvendo a morte de uma funcionária de laboratório na Rússia, supostamente causada pela peste pneumônica. A situação gerou preocupação internacional e levou países e organismos a pedirem mais transparência às autoridades russas. "Ainda não temos um quadro completo desse evento e não somos capazes de realizar uma avaliação integral do risco", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, minimizou os relatos, classificando-os como informações falsas e reforçando que apenas os comunicados oficiais das autoridades russas são confiáveis. O caso envolve uma técnica de laboratório de 28 anos que trabalhava em um instituto de pesquisa sobre a peste na região de Irkutsk, na Sibéria. Segundo relatos da imprensa russa, ela teria morrido em decorrência da doença, possivelmente após o rompimento de um tubo de ensaio durante suas atividades no instituto. A peste pneumônica é uma infecção bacteriana altamente contagiosa causada pela bactéria Yersinia pestis, que afeta os pulmões e pode ser transmitida de pessoa para pessoa pelo ar, inclusive por meio da tosse. A doença é tratável com antibióticos quando diagnosticada precocemente, mas pode ser fatal se não tratada a tempo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que tinha uma ligação telefônica planejada com o presidente russo, Vladimir Putin, para tratar do assunto. No entanto, Peskov afirmou não haver acordo sobre a realização da chamada. Trump declarou que a morte da pesquisadora não parecia estar relacionada a uma arma biológica. "Vamos descobrir em breve, mas não acreditamos que seja esse o caso", disse Trump, acrescentando que a Rússia havia reportado que a situação estava sob controle. Os EUA também fizeram um pedido formal à Rússia por mais informações sobre o caso, de acordo com a agência de notícias AFP. A OMS também solicitou esclarecimentos sobre relatos de uma "segunda funcionária com pneumonia de causa indeterminada" no mesmo instituto. Nesta quinta-feira, a Rússia negou que outra pessoa tivesse adoecido. Enquanto Estados Unidos, União Europeia e OMS pedem transparência, as autoridades russas insistem que a população da região não corre riscos. "Não há riscos epidêmicos para a população", afirmou a agência de saúde do país, acrescentando que as investigações não identificaram "nenhuma situação de emergência."
Segundo o órgão, as medidas preventivas foram concluídas para todas as pessoas que tiveram contato com a funcionária que morreu. "Mais de 90% dos contatos concluíram o período de observação médica", informou a agência. "Os resultados de quase 5 mil testes laboratoriais não revelaram microrganismos patogênicos perigosos." Em resposta à situação, a Mongólia anunciou a implementação de "medidas de vigilância e monitoramento sanitário" na fronteira com a Rússia. A OMS segue acompanhando o caso à espera de informações mais detalhadas por parte das autoridades russas para realizar uma avaliação completa do risco.



