Nikolas apoia boicote contra artista e empresários que votaram em Lula

Reprodução/Flickr
Deputado defende direito de eleitores de direita de não consumir de empresários e artistas que votaram em Lula
O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou apoio ao boicote contra empresários e artistas que votaram em Lula (PT) no segundo turno das eleições. Em vídeo publicado no Instagram, o parlamentar defendeu o direito dos eleitores de direita de escolherem onde gastar seu dinheiro, argumentando que essa é uma consequência natural das divisões geradas durante a campanha eleitoral. Nikolas Ferreira afirmou que empresários, artistas e influenciadores "xingaram, zombaram e acusaram 60 milhões de pessoas de serem extremistas, nazistas, genocidas, golpistas".
Para o deputado, é legítimo que eleitores da direita não queiram consumir ou fortalecer quem não compartilha de seus princípios. "Ora, nós temos o direito de escolher para onde que vai o nosso salário, que nada mais é do que o fruto do suado e sagrado trabalho de cada um. Eles ficaram esse tempo todo dizendo: Recua, fascista, recua. E nós recuamos. Agora a gente não quer mais consumir ou fortalecer pessoas que não condizem com os nossos princípios. E mais, por que eles gostariam do dinheiro de pessoas tão ruins assim? Não faz o menor sentido", declarou o deputado Nikolas Ferreira em seu Instagram. O parlamentar, no entanto, fez uma distinção entre boicote e caridade. Nikolas Ferreira criticou quem deixa de ser caridoso com alguém por conta do voto, embora tenha pontuado que a caridade pregada pelos críticos ao bolsonarismo "nada mais é do que uma aparência de virtude, e não fruto de um coração verdadeiramente transformado". Para ele, episódios como esses representam "uma crise espiritual disfarçada de crise política".
Após o segundo turno, viralizaram nas redes sociais vídeos convocando eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) a boicotarem estabelecimentos cujos donos votaram pela reeleição de Lula. Listas com esses estabelecimentos identificados como petistas também passaram a circular amplamente. Além disso, surgiram conteúdos orientando empregadores a vasculhar as redes sociais de funcionários para identificar e demitir quem votou no PT, bem como trocar de fornecedores. Do ponto de vista legal, o boicote pode ser considerado crime quando faz parte de uma campanha reiterada que ameace a integridade física ou psicológica do alvo, conforme o Código Penal. A perturbação à privacidade ou à liberdade da vítima também são considerados indícios de que a prática pode ser criminosa, com pena prevista de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa. A posição de Nikolas Ferreira reforça a divisão política que se aprofundou no país após o resultado das eleições, com eleitores de ambos os lados adotando posições cada vez mais polarizadas no campo econômico e social.



