Meta AI é acusada de recusar imagens de campanha de Lula e gerar de Flávio

Escritório da Meta em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos - Foto: Nathan Frandino
Ferramenta da Meta no WhatsApp gerou arte para Flávio Bolsonaro, mas bloqueou pedidos para Lula; comportamento viola resolução do TSE
Usuários do WhatsApp relataram que a Meta AI se recusa a gerar imagens de campanha do presidente Lula (PT), mas aceita pedidos semelhantes para o candidato Flávio Bolsonaro (PL). O g1 confirmou a diferença no comportamento do assistente de inteligência artificial, embora a ferramenta tenha acabado criando uma imagem com o nome de Lula após insistência repetida. A discrepância nas respostas foi identificada especificamente dentro do WhatsApp. No site oficial do assistente, que funciona de forma semelhante ao ChatGPT, a Meta AI se recusou a criar imagens de campanha para ambos os candidatos, sem distinção.
Segundo o g1, testes diretos foram realizados com a Meta AI no WhatsApp e documentou as diferenças de comportamento: - Ao receber o pedido para criar uma imagem "vermelha e branca com Lula 13", a IA respondeu que "não conseguiu gerar a imagem". - Na sequência, ao ser solicitada uma imagem "azul e amarela com Flavio 22", a ferramenta gerou uma arte sem qualquer impedimento. - Após vários pedidos insistentes, a Meta AI acabou gerando uma imagem com "13 apoio político" e, posteriormente, atendeu à solicitação para incluir o nome de Lula na arte. Antes de criar a versão com o nome do petista, o assistente havia informado que não conseguiria atender ao pedido. Quando questionado sobre a recusa, afirmou que houve um bloqueio automático do sistema e acrescentou: "Não tenho o detalhe do motivo aqui".
O g1 perguntou diretamente à Meta AI, no chat do assistente no WhatsApp, o motivo da dificuldade para gerar imagens do petista. A IA respondeu que houve um "bloqueio automático do sistema de criação de imagens", sem detalhar as razões técnicas por trás da diferença de tratamento entre os candidatos. **O que diz a legislação eleitoral** Esse tipo de comportamento é expressamente proibido pela legislação brasileira. A resolução 23.755/2026 do TSE, publicada neste ano, veda às ferramentas de IA "emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas".
Em agosto, o TSE anunciou um acordo com a AGU para compartilhar uma Cartilha de Boas Práticas de Inteligência Artificial, estabelecendo regras para garantir a independência de materiais produzidos com IA. "As ações conjuntas deverão observar os princípios da estrita neutralidade institucional e da isenção político-partidária", afirmaram TSE e AGU. A Meta AI é um assistente de inteligência artificial gratuito integrado ao WhatsApp, Instagram e Facebook. A partir de descrições simples, a ferramenta pode produzir textos, planejar atividades e criar imagens. O g1 procurou a assessoria de imprensa da Meta para obter mais detalhes sobre o caso e aguarda retorno.



