Lula suspende campanha para se preparar para debate decisivo na Globo

Foto: Ricardo Stuckert
Lula pausa agenda pública para definir estratégias antes do último debate com Flávio Bolsonaro, enquanto campanha aciona o TSE contra a Meta
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu os compromissos públicos de campanha para se dedicar à preparação do debate da TV Globo, marcado para esta sexta-feira (23/10), o último confronto antes do segundo turno das eleições.
O petista deve passar esta quinta-feira (22/10) e parte da sexta em reuniões com aliados para definir estratégias e aprimorar seu desempenho em relação ao primeiro embate com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A equipe de campanha defende mudanças tanto no formato quanto na postura de Lula durante o programa. Uma das principais demandas da campanha à emissora é a realização de checagem em tempo real das declarações dos candidatos.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira — que está de férias do cargo para atuar na campanha —, está conduzindo as negociações com a Globo sobre o assunto.
Na quarta-feira (21/10), o presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, acusou o adversário de "mentir muito" e exigiu que as falas de ambos os candidatos sejam verificadas durante o debate.
"O debate não pode ser um instrumento de desinformação. O debate tem que ser um instrumento de formação de opinião do eleitor. Então, o correto é que haja uma checagem de cada resposta dos dois candidatos para saber quem está falando a verdade e quem está mentindo para o eleitor em um momento tão decisivo", afirmou.
Auxiliares de Lula também discutem táticas para evitar que o presidente caia em "armadilhas" do adversário, como ocorreu no debate da TV Band, no último domingo (18/10).
O petista foi aconselhado a se movimentar menos pelo estúdio e a usar mais o púlpito, como forma de se proteger da estratégia adotada por Flávio, que constantemente se posicionava atrás do presidente durante o confronto anterior.
As regras do debate da Globo permitem a livre movimentação dos candidatos pelo cenário.
Com o último debate à vista, a campanha de Lula busca um fôlego adicional para uma possível virada antes da votação, no domingo (25/10).
Nova pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira aponta Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Lula aparece com 44%, configurando empate técnico. Os indecisos somam 2%, e os eleitores que pretendem votar em branco ou nulo representam 5%.
Ação no TSE contra Flávio Bolsonaro
A campanha de Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de quarta-feira, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Flávio Bolsonaro.
A ação solicita a cassação da chapa do senador e de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), por suposto favorecimento da Meta, apontando abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. A campanha também pede que a investigação seja conduzida com tutela de urgência.
O documento afirma que a "infraestrutura privada" da big tech utilizada para propaganda eleitoral — incluindo sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial generativa e mecanismos de revisão de anúncios das plataformas da Meta, como Instagram, Facebook e WhatsApp, e do X — passou a "operar, de modo reiterado e convergente, em benefício da candidatura dos investigados e em franco detrimento da candidatura adversária".
A ação também solicita que o TSE declare Flávio Bolsonaro, o influenciador Pablo Marçal e o empresário Tallis Gomes inelegíveis por oito anos.
Entre os episódios citados pela campanha de Lula como indicativos de tratamento desigual estão a geração, por inteligência artificial, de imagens favoráveis a Flávio e o bloqueio do mesmo recurso para o candidato petista.
Além disso, a campanha de Lula relatou dificuldades para impulsionar conteúdos pagos nas redes sociais, levando o caso à Justiça Eleitoral sob a acusação de que a Meta estaria interferindo no processo eleitoral.
Em resposta, a empresa negou qualquer interferência ou favorecimento a candidaturas e atribuiu os problemas relatados a falhas técnicas.



