Lula deve definir ministros após viagem ao exterior

Esplanada dos Ministérios | Foto: Marcello Casal Jr. /Agência Brasil
Lula deve aguardar retorno da Turquia e das Filipinas, previsto para 16 de novembro, para iniciar a composição ministerial do quarto mandato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adiar as decisões sobre a composição ministerial do quarto mandato para depois de sua viagem internacional à Turquia e às Filipinas. A expectativa entre aliados é que as definições comecem a partir do retorno do petista ao Brasil, previsto para 16 de novembro. Segundo pessoas próximas ao presidente, Lula ainda não iniciou as conversas sobre os nomes que vão integrar a nova equipe. Enquanto isso, integrantes do governo e partidos aliados já se movimentam nos bastidores para garantir espaço na Esplanada dos Ministérios. A tendência é que as primeiras escolhas envolvam a Casa Civil e o Ministério da Fazenda, duas das estruturas mais relevantes do governo federal.
Para a Casa Civil, os nomes mais citados são os do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação. Já para o comando da equipe econômica, figuram entre os cotados o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). O nome de Fonteles, no entanto, não é bem recebido pelo mercado financeiro. A eventual indicação é interpretada pelo setor como um sinal de que os ajustes fiscais necessários podem não ocorrer, ou serem limitados. Desde que Lula venceu o segundo turno, o Ibovespa recuou 17%, chegando a 169,1 mil pontos, enquanto o dólar subiu de R$ 4,98 para R$ 5,38. Outros nomes também são considerados para permanecer no governo, entre eles Guilherme Boulos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Alexandre Padilha, da Saúde; Bruno Moretti, do Planejamento; e a ex-ministra Gleisi Hoffmann.
A segurança pública deve ganhar destaque entre as prioridades do próximo governo, especialmente após o protagonismo que o tema teve na campanha da oposição e diante da dificuldade histórica do PT em construir um discurso consistente nessa área. Para comandar o Ministério da Justiça, um dos nomes cotados é o de Fernando Haddad, derrotado ainda no primeiro turno na disputa pelo governo de São Paulo. A possível indicação leva em conta a atuação de Haddad à frente da equipe econômica, com destaque para iniciativas da Receita Federal no enfrentamento ao crime organizado. O ex-ministro também aparece entre os cotados para a Casa Civil, embora com menos força que Camilo Santana, e para retornar ao Ministério da Educação, pasta que comandou durante o primeiro governo Lula. No campo internacional, Lula deve embarcar em 9 de novembro para Antália, na Turquia, onde participará da COP 31, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Na sequência, o presidente realizará uma visita de Estado às Filipinas a partir de 13 de novembro, com participação prevista na cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático nos dias 14 e 15. A expectativa é que, após cumprir os compromissos internacionais, Lula concentre as atenções na montagem do novo governo, que tem início em janeiro de 2027.



