Janones lidera plano digital do PT no 2º turno

Foto: Youtube/Reprodução
Estratégia do PT combina exaltação a Lula via canal de Janones e uso de influenciadores para atacar Flávio Bolsonaro nas redes sociais
Após um primeiro turno considerado apático, o PT chega à reta final do segundo turno com uma estratégia digital estruturada em torno da candidatura à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. No dia 22 de outubro, o deputado federal André Janones (Rede-MG) realizou uma live ao lado do presidente, que registrou 1,5 milhão de aparelhos conectados simultaneamente. O plano digital do PT opera em duas frentes distintas. A primeira é de exaltação à figura de Lula, liderada por Janones e seu canal no WhatsApp, que conta com um exército de 8,7 milhões de membros. A segunda frente mobiliza pequenos e médios influenciadores digitais para disseminar o medo de uma eventual vitória do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL).
A avaliação de profissionais de comunicação ligados ao PT é que Lula conquista mais eleitores ao se apresentar como uma liderança carismática do que ao partir para o ataque direto contra o candidato bolsonarista — tática que já foi testada durante a campanha e não produziu os resultados esperados. Um dos fatores que moldou essa configuração estratégica foi a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques — indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — contra o chamado "Exército do Lula". O canal do WhatsApp chegou a ser retirado do ar na penúltima semana das eleições, mas já conta com mais do que o dobro de integrantes em relação ao momento em que foi derrubado.
No mesmo dia 22 de outubro, uma minuta para a remoção dos canais de WhatsApp 48 horas antes do pleito circulou pela Justiça Eleitoral. O documento foi elaborado pelo vice-presidente do TSE, o ministro André Mendonça — também indicado por Bolsonaro ao STF. No mesmo dia, Nunes Marques prometeu realizar um "pente-fino" sobre o canal liderado por Janones.
A estratégia de exaltação a Lula por meio do canal permite que a campanha se blindagem juridicamente e tente reverter eventuais bloqueios na reta final da eleição. Já o foco em pequenos e médios influenciadores para atacar Flávio Bolsonaro viabiliza o impulsionamento orgânico de conteúdos que, ao serem compartilhados por microinfluenciadores, alcançam usuários das redes sociais que os anúncios pagos não conseguem atingir. Há ainda uma preocupação em não vincular diretamente a candidatura lulista à campanha de medo contra o adversário bolsonarista. Um exemplo citado é o do Mc Cabelinho, que gravou um vídeo para a série "Revelando". Em 7 de outubro, terceiro dia do segundo turno, Janones concedeu uma entrevista em que detalhou como seriam as estratégias do "Exército do Lula" na eleição. Na ocasião, o deputado afirmou que não pretendia "ser o pai da ética nesse segundo turno", e que somente as redes sociais teriam o poder de virar as eleições.



