Ibovespa cai 13,88% após reeleição de Lula

Setor bancário liderou as perdas com R$ 240 bilhões em um único pregão, enquanto o Ibovespa registrou queda de 13,88% na B3
O pregão de segunda-feira, 26 de outubro de 2026, ficou marcado por uma expressiva queda no valor de mercado das empresas listadas na B3. O dia seguinte à reeleição de Lula como presidente foi de forte tensão nos mercados, com o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrando queda de 13,88%. Levantamento da Elos Ayta aponta que os 20 setores com as maiores perdas acumularam uma desvalorização de aproximadamente R$ 689,9 bilhões, em comparação com o fechamento de sexta-feira, 23 de outubro. O setor bancário liderou as perdas, com redução de R$ 240,1 bilhões entre 18 empresas. Na sequência, o setor de energia elétrica registrou queda de R$ 92,8 bilhões entre 28 empresas, enquanto exploração, refino e distribuição de petróleo perderam R$ 80,5 bilhões entre oito empresas. Juntos, esses três setores responderam por R$ 413,5 bilhões, equivalentes a cerca de 59,9% das perdas registradas pelos 20 setores analisados.
A desvalorização também atingiu outros segmentos relevantes da economia brasileira. Serviços financeiros diversos registraram redução de R$ 43 bilhões, enquanto serviços médico-hospitalares, análises e diagnósticos perderam R$ 34,7 bilhões, e água e saneamento, R$ 34,6 bilhões. O setor de aluguel de carros apresentou uma das maiores quedas proporcionais, com recuo de aproximadamente 43,4% em seu valor de mercado, passando de R$ 73,6 bilhões para R$ 41,7 bilhões. O segmento de incorporações imobiliárias, composto por 24 empresas, perdeu R$ 21,7 bilhões, o equivalente a 32,5% de seu valor de mercado anterior. Os números indicam que o movimento não ficou restrito às empresas de maior capitalização, alcançando também setores tradicionalmente mais sensíveis às expectativas de juros e às condições de financiamento. "A distribuição das perdas evidencia a abrangência da desvalorização observada no pregão.
Os dez setores mais afetados concentraram aproximadamente R$ 615,4 bilhões, ou 89,2% das perdas dos 20 setores, enquanto os demais dez responderam por R$ 74,5 bilhões. Entre os segmentos que também registraram retrações relevantes estão medicamentos e outros produtos, exploração de rodovias, exploração de imóveis, alimentos, tecidos, vestuário e calçados, telecomunicações e serviços educacionais", explica Einar Riveiro, CEO da consultoria. O levantamento da Elos Ayta demonstra que a queda do Ibovespa em 26 de outubro foi disseminada, mas concentrou as perdas, em valores absolutos, nos setores bancário, elétrico e de petróleo. "A redução do valor de mercado representa a desvalorização das companhias em Bolsa, não significando uma saída efetiva de recursos financeiros equivalente ao montante apurado", completa Riveiro.
Após a forte queda de segunda-feira, o Ibovespa abriu a terça-feira oscilando. Às 14h30, o índice recuava 0,20%, após iniciar o dia em alta. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avaliou que a abertura do pregão do Ibovespa nesta terça-feira (27) refletiu uma tentativa cautelosa de estabilização, após o acionamento do circuit breaker que marcou a sessão anterior. "O principal índice da bolsa brasileira inicia as negociações buscando um novo ponto de equilíbrio, com os investidores operando sob forte instabilidade e ainda digerindo os impactos da reprecificação abrupta dos ativos provocada pelo desfecho eleitoral. Esse movimento inicial sugere um mercado que tenta estancar a sangria, promovendo ajustes técnicos e recompras pontuais de papéis que foram excessivamente penalizados na liquidação forçada de ontem", disse. "Apesar desse leve respiro técnico na abertura, o clima geral no mercado financeiro permanece de intensa aversão ao risco e expectativa redobrada. Os agentes econômicos continuam cobrando um prêmio elevado para manter ou alocar capital na renda variável, mantendo as atenções voltadas para os primeiros passos da transição política. A ausência de definições imediatas e detalhadas sobre a composição da futura equipe econômica e sobre a sustentabilidade das âncoras fiscais impede uma recuperação mais firme do índice, fazendo com que a cautela estrutural e a volatilidade continuem ditando o ritmo dos negócios ao longo do dia", conclui a estrategista.



