Flávio Bolsonaro não será reconhecido por Trump como "líder legítimo do Brasil"

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Governo americano autorizou entrada do senador nos EUA, mas não pretende reconhecê-lo como líder legítimo do Brasil, segundo a Reuters.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende reconhecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como líder legítimo do Brasil, mesmo após ter autorizado sua entrada em território americano depois da derrota nas eleições presidenciais de 2026. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (30) pela agência Reuters, com base em relatos de uma autoridade americana e de outra pessoa familiarizada com as discussões internas do governo. Segundo os interlocutores ouvidos pela Reuters, Trump não possui planos imediatos de apoiar as pretensões políticas de Flávio Bolsonaro, que divulgou uma carta contestando o resultado eleitoral brasileiro. A posição evidencia uma diferença entre a aproximação ideológica do presidente americano com a família Bolsonaro e o reconhecimento institucional do resultado das eleições.
Integrantes do governo Trump afirmaram, sob condição de anonimato, que a Casa Branca não pretende endossar a declaração de Flávio Bolsonaro de que seria o legítimo líder do Brasil. As fontes ressaltaram, entretanto, que a posição do presidente americano poderá mudar. A decisão ocorre após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta em que se apresentava inicialmente como presidente eleito do país, apesar da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Posteriormente, o senador retirou a publicação e divulgou uma nova versão, substituindo a referência à Presidência pela expressão "líder do Brasil". Na carta, Flávio também questionou a legitimidade da eleição, sem apresentar provas que sustentassem suas acusações.
Embora não pretenda reconhecer o senador como líder brasileiro, o governo americano participou das articulações que permitiram sua entrada no país. Segundo a Reuters, o assessor Jason Miller, próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar parte da viagem. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, teria recomendado a Trump que autorizasse a entrada do senador. A autorização foi concedida, e Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos acompanhado da esposa e das duas filhas. Autoridades americanas informaram à agência que a família recebeu uma autorização temporária de entrada por razões humanitárias, conhecida como "humanitarian parole". Esse mecanismo permite a permanência temporária em território americano em circunstâncias específicas, sem representar automaticamente a concessão de residência permanente ou asilo político. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após a confirmação da reeleição de Lula. A viagem ocorreu em meio a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador.
A medida foi adotada após solicitação da Polícia Federal, no contexto de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a Reuters, Flávio Bolsonaro e sua família atravessaram a fronteira com a Argentina antes de embarcar em um avião fretado com destino aos Estados Unidos. O trajeto incluiu uma passagem pelo Equador antes da chegada a Miami. As circunstâncias da saída do senador do território brasileiro também passaram a ser alvo de questionamentos.
Apesar de levantar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro, Donald Trump tem evitado declarar apoio formal à contestação apresentada por Flávio Bolsonaro. O presidente americano afirmou que acompanhou a eleição e considerou o resultado questionável, mas não apresentou evidências de irregularidades. Ao mesmo tempo, Trump destacou que mantém uma boa relação pessoal com Lula, que venceu o segundo turno por uma diferença aproximada de 3,5 pontos percentuais. A postura americana indica uma tentativa de preservar o relacionamento diplomático com o governo brasileiro, mesmo diante das afinidades políticas de Trump com a família Bolsonaro.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil também provocou discussões sobre o futuro da oposição ao governo Lula. Segundo autoridades brasileiras ouvidas pela Reuters, a ausência do senador pode enfraquecer sua capacidade de articulação política no Congresso Nacional. Uma autoridade americana também avaliou que o capital político de Flávio diminuiu após a viagem. Essas avaliações, entretanto, representam interpretações de interlocutores consultados pela agência, e não uma conclusão oficial sobre o futuro político do senador. Até o momento, a Casa Branca não anunciou qualquer medida para reconhecer Flávio Bolsonaro como representante legítimo do governo brasileiro.



