Eleição mais disputada desde a redemocratização define presidente

Identificação biométrica de um eleitor durante a votação © Joédson Alves/Agência Brasil
Flávio Bolsonaro e Lula se enfrentam em eleição apontada como a mais disputada desde a redemocratização do Brasil
Os eleitores brasileiros voltam às urnas neste domingo (25) para decidir quem governará o país pelos próximos quatro anos. O segundo turno opõe o senador Flávio Bolsonaro (PL), que liderou a votação na primeira etapa, ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta conquistar um inédito quarto mandato. O cenário na véspera da votação aponta para a eleição mais disputada desde a redemocratização.
Os levantamentos de intenção de voto divulgados após o primeiro turno mostram estabilidade, com os dois candidatos tecnicamente empatados dentro da margem de erro, mas com Flávio Bolsonaro mantendo uma pequena vantagem numérica desde que surpreendeu e venceu a primeira rodada.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro conquistou a liderança com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. O presidente Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos, a menor registrada entre adversários desde que o país retomou as eleições livres para presidente em 1989.
O balanço oficial da Justiça Eleitoral contabilizou 119.300.788 votos válidos. Os brancos somaram 2.300.781 (1,84%) e os nulos atingiram 3.674.149 (2,93%). A eleição também bateu o recorde histórico de abstenção, com 33 milhões de eleitores ausentes, representando 21% do eleitorado total.
No intervalo entre os dois turnos, os candidatos disputaram aproximadamente 48,7 milhões de eleitores que votaram em candidatos de terceira via, anularam o voto ou se abstiveram. Esse foi justamente o foco da campanha de Lula, que durante pouco mais de 20 dias buscou atrair cidadãos que não votaram no incumbente.
No último dia de campanha, Lula demonstrou otimismo com uma possível virada histórica. Aos 80 anos, às vésperas de completar 81 na próxima terça-feira (27), o petista reuniu milhares de apoiadores nas ruas e nas redes sociais, por meio do canal "Exército do Lula", em uma campanha voltada a convencer eleitores que não optaram pelo filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Neste sábado (24), Lula realizou um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, reduto eleitoral de Flávio Bolsonaro, cidade onde o senador venceu por menos de 1 milhão de votos. À tarde, o presidente encerrou a campanha em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, onde obteve 46,58% dos votos válidos no primeiro turno.
"Neste segundo turno, a sociedade brasileira resolveu assumir a responsabilidade de dizer que a eleição não é uma coisa de partido político, mas uma coisa de pessoas que se preocupam com o país, que se preocupam com o dia a dia das pessoas, e pessoas que não querem permitir que um miliciano vá para o Palácio do Planalto. [...] Por isso, estou convencido de que vamos vencer as eleições. Nós trabalhamos muito para convencer as pessoas que não foram votar ou que anularam o voto", afirmou.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca ser o segundo da família a ocupar o Palácio do Planalto e fazer com que Lula se torne o segundo presidente em exercício a perder a reeleição. Ao longo da campanha, o senador adotou um discurso de mudança de rota, criticando a política econômica do governo e a segurança pública, pauta historicamente sensível para os governos petistas.
Na manhã de sábado, Flávio Bolsonaro passou por Belo Horizonte, onde realizou o ato conhecido como "bloco do 22", ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o mais votado da história do país, e do governador eleito em primeiro turno Cleitinho Azevedo (Republicanos). A diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula na capital mineira foi de menos de 100 mil votos. À tarde, o senador encerrou sua campanha na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, repetindo o gesto da véspera do primeiro turno, quando também finalizou sua jornada na cidade.
"O Brasil não está mais dividido entre esquerda e direita, está todo mundo unido pela mudança. Mas por que mudança? Porque são mais de 11,5 mil obras inacabadas, violência, o Brasil cansou de esperar", declarou.
As pesquisas de véspera divulgadas neste sábado reforçam o cenário de disputa acirrada. O instituto Datafolha aponta vitória de Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, o levantamento configura empate técnico. A Quaest registra os mesmos percentuais: Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49%, também em empate técnico dentro da margem de erro de 2 p.p. Ambos os institutos realizaram suas pesquisas entre os dias 23 e 24 de outubro, com nível de confiança de 95%.
Os candidatos
Flávio Bolsonaro (PL) tem 45 anos, é advogado, ex-deputado estadual e atual senador pelo Rio de Janeiro. Disputa a Presidência pela primeira vez. Natural de Resende (RJ), compõe sua chapa com o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), de 56 anos, como candidato a vice-presidente.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aos 80 anos, é o atual chefe do Executivo e natural de Garanhuns (PE). Com trajetória marcada pela liderança sindical, governou o Brasil por dois mandatos consecutivos (2003–2010) e busca a reeleição para consolidar seu quarto período à frente do Estado. Sua chapa mantém a aliança com o vice-presidente, médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), de 73 anos.
As seções eleitorais abrem às 8h e fecham às 17h (horário de Brasília). A apuração começa logo após o encerramento do pleito, com cobertura em tempo real em todo o país.



