Flávio Bolsonaro amplia alianças em Minas; Lula reformula campanha de redes

Lula e Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro articula apoios em Minas Gerais enquanto Lula reformula campanha com foco em redes sociais e novos coordenadores
A 16 dias do segundo turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) ajustam suas estratégias após o resultado da primeira etapa da eleição. Lula decidiu reformular a coordenação da campanha, ampliar a atuação nas redes sociais e dar mais espaço a temas como segurança pública e custo de vida. Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca consolidar alianças políticas e ampliar sua presença em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. As mudanças no comando petista ocorrem após críticas internas à condução da campanha e à declaração do próprio presidente de que a disputa no primeiro turno foi a menos organizada de sua trajetória eleitoral desde 1989. Do lado de Flávio Bolsonaro, a articulação com governadores eleitos, parlamentares e partidos busca transformar os apoios recebidos após o primeiro turno em votos. Lula incorporou três aliados do Nordeste à coordenação nacional da campanha.
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, ficará responsável pela articulação política. O senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, coordenará a agenda. Já o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ficará à frente da comunicação. A mudança ocorre após o resultado do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro terminou à frente do presidente, contrariando a expectativa de parte dos petistas. Outra frente de mudança é a comunicação digital. Na quarta-feira (7), Lula se reuniu com influenciadores e parlamentares recém-eleitos com forte presença nas redes sociais.
A campanha montou uma sala no comitê, no Lago Sul, em Brasília, para ampliar a produção de conteúdo e aproximar o presidente de públicos com os quais teve mais dificuldade no primeiro turno. O próprio Lula passou a gravar mais vídeos no formato selfie e a enviar mensagens de voz a apoiadores em aplicativos. No discurso, a campanha também vem dando mais espaço a temas como segurança pública, custo de vida e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Na noite de quinta-feira (8), Lula criticou propostas de cortes no Orçamento e associou medidas de ajuste fiscal à redução de benefícios sociais. "Fiquem preocupados, porque quando se falar em corte significa meter a mão no bolso do povo trabalhador", disse o presidente.
Ele citou possíveis impactos sobre a política de valorização do salário mínimo, o Minha Casa, Minha Vida e os descontos em medicamentos. Flávio Bolsonaro dedicou parte da agenda de quinta-feira (8) à articulação com lideranças mineiras. Em Brasília, reuniu-se com o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros parlamentares do estado. No encontro, Flávio Bolsonaro assumiu o compromisso de discutir alternativas para o pagamento da dívida de Minas Gerais com a União. A proposta apresentada por Cleitinho prevê rever as condições de pagamento e permitir que parte dos recursos destinados à dívida seja convertida em investimentos em infraestrutura e segurança pública. A agenda reforça a tentativa de Flávio Bolsonaro de ampliar o apoio no estado, considerado estratégico para a disputa nacional.
Durante o encontro, Nikolas afirmou que Minas é o "fiel da balança" da eleição. O candidato também recebeu o apoio do ex-presidenciável Augusto Cury (Avante), que condicionou a adesão ao cumprimento de um termo de compromissos. O documento prevê, entre outros pontos, a defesa do fim da reeleição presidencial, a ampliação do ensino em tempo integral, uma rede pública de telemedicina e medidas voltadas à pacificação nacional. Cury afirmou que o apoio não representa um "cheque em branco". Flávio Bolsonaro assinou o documento na quinta-feira (8). Na disputa por alianças, o PSDB anunciou neutralidade no segundo turno e liberou os diretórios estaduais para apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro. O presidente da sigla, Aécio Neves, afirmou que a consulta interna apontou divisão entre a neutralidade e o apoio ao candidato do PL, com uma parcela menor favorável ao petista. Já a Unidade Popular (UP) declarou apoio à reeleição de Lula. O presidente do partido, Léo Péricles, resumiu a posição com o lema "Bolsonaro nunca mais".
A proposta que acaba com a escala de trabalho 6 por 1 também segue como um dos pontos de disputa entre as campanhas. O Senado encerrou na quinta-feira (8) a terceira sessão de discussão da PEC, com 52 senadores presentes. Apenas Paulo Paim (PT-RS) discursou durante a sessão, que durou cerca de meia hora. O governo tenta acelerar a tramitação por meio de um requerimento de calendário especial, que permitiria votar os dois turnos no mesmo dia. Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), são necessárias 54 assinaturas ou o apoio de líderes que representem esse número de senadores. A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que articula o apoio necessário, mas não informou quantas assinaturas já foram reunidas. A oposição, liderada pelo PL, defende adiar a votação para depois das eleições. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8) mostra Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. Considerando todos os entrevistados, o candidato do PL tem 49%, e o petista, 45%. O levantamento ouviu 2.520 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.



