EUA registram 49 milhões de votos antecipados, superando recorde de 2022

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O Election Lab da Universidade da Flórida contabilizou mais de 49 milhões de votos antecipados nas eleições de meio de mandato dos EUA
Quase 50 milhões de norte-americanos já depositaram seus votos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, batendo um recorde histórico de participação antecipada. Os dados, divulgados pelo Election Lab da Universidade da Flórida, apontam ainda uma presença maior de eleitores democratas do que republicanos entre os votantes que optaram por essa modalidade. O Election Lab registrou 49.564.545 votos antecipados até às 22h39 do horário de Brasília da última sexta-feira. O número supera o recorde anterior para eleições de meio de mandato, que era de 45,9 milhões de votos, estabelecido antes do pleito de 2022. Naquele ano, 226 milhões de pessoas estavam inscritas no cadastro eleitoral nos Estados Unidos, segundo dados federais.
As eleições serão realizadas na terça-feira (3), mas já é possível votar antecipadamente. Entre os eleitores que optaram por essa modalidade de participação está o papa Leão XIV, nascido nos EUA. O aumento na participação antecipada observado este ano é especialmente expressivo em estados onde ocorrem disputas acirradas para o Senado. No Texas, onde o candidato democrata James Talarico espera encerrar três décadas de domínio de senadores republicanos, mais de 6 milhões de pessoas já haviam votado antecipadamente até quarta-feira, segundo números oficiais.
A modalidade também apresentou alta na Carolina do Norte e na Carolina do Sul. No Kansas, onde o senador republicano Roger Marshall enfrenta dificuldades, o número de participação na semana passada era cerca de dois terços superior ao registrado em 2022, segundo autoridades locais. Nos estados que fazem um levantamento da filiação política dos eleitores, os democratas representam uma parcela significativamente maior entre quem vota antecipadamente: cerca de 44%, contra 31% dos republicanos e 25% dos eleitores sem filiação política ou registrados em partidos menores, ainda de acordo com o Election Lab. Houve ainda um aumento na participação de eleitores negros e hispânicos nos estados que divulgam dados sobre a origem étnica dos votantes. Especialistas alertam, contudo, para que esses números não sejam interpretados como uma indicação do resultado da eleição.
A afiliação política de um eleitor não revela, por exemplo, em qual candidato ele votou, e dezenas de milhões de outros norte-americanos ainda irão às urnas na terça-feira. Nas últimas eleições, os republicanos tenderam a votar mais no dia do pleito, o que poderia reduzir, ou até mesmo reverter, a vantagem dos democratas. Além disso, uma maior participação na votação antecipada não significa, necessariamente, um aumento na participação eleitoral total. Embora não ameacem literalmente a permanência de Donald Trump no governo, as eleições de meio de mandato funcionam como um "referendo" sobre sua presidência, definindo se o presidente terá maioria favorável ou contrária na Câmara e no Senado.
Não é incomum que um presidente perca a maioria em uma ou nas duas Casas durante o mandato. Maurício Fronzaglia, professor de Relações Internacionais da Universidade Mackenzie, explica que isso já aconteceu, na história recente, com republicanos, como no segundo mandato de George W. Bush, e com democratas, como no primeiro mandato de Bill Clinton e nos dois mandatos de Obama. "Essas eleições acabam sendo um termômetro de como está a popularidade do governo. Se essa temperatura está baixa, o eleitor costuma punir o presidente retirando-lhe a maioria na Câmara ou no Senado", afirma Maurício Fronzaglia, professor de Relações Internacionais da Universidade Mackenzie. Na Câmara, os mandatos são de dois anos e, em 2026, todas as 435 cadeiras serão renovadas. No Senado, onde os mandatos são de seis anos, apenas 35 das 100 cadeiras estarão em disputa. Atualmente, os republicanos têm maioria nas duas Casas, o que deu a Donald Trump dois anos de "vantagem" no governo. Trump registra a menor popularidade de sua história, com índice de aprovação de apenas 31%, segundo pesquisa recente da Reuters/Ipsos, o que indica um cenário desfavorável aos republicanos nas urnas.



