Campanhas entram em acordo para abertura total dos sigilos de Lula e Flávio

O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado pela Band - Foto: Band / Reprodução
Coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana confirmou que o presidente autorizou a abertura total de sigilos fiscal, bancário e telefônico
O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Camilo Santana, anunciou que Lula atendeu às exigências apresentadas pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) e autorizou o levantamento dos seus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como os de seus familiares. A declaração foi feita após uma reunião sobre o tema no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Camilo Santana informou que a campanha de Lula levou uma petição ao ministro André Mendonça autorizando a quebra de sigilo do presidente. O documento afirma que Lula aceitou todos os termos propostos por Flávio e que a abertura dos dados deve ser total, imediata e simultânea para ambos os candidatos. O pedido é para que Mendonça decida sobre o caso ainda nesta quinta-feira, 22, de forma que as informações sejam divulgadas até as 22h. O objetivo é que os dados estejam públicos antes do debate da Globo na próxima sexta-feira, 23.
O presidente do PT, Edinho Silva, informou que a petição foi proposta pela campanha de Lula e assinada pelo presidente e pela advogada de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri. Edinho também revelou que a campanha de Flávio discordou quanto à quebra de sigilo da Alcazar Holding, do advogado Willer Tomaz. De acordo com a Polícia Federal (PF), Flávio era mencionado como "usuário master" de uma conta ligada à empresa, com suspeita de que a conta fosse utilizada para lavagem de dinheiro. "Eles discordaram em relação a essa empresa, que está colocada sob suspeita pelas autoridades que fiscalizam uma movimentação financeira no Brasil", disse Edinho.
Segundo o presidente do PT, a partir da petição, Mendonça tem o poder de requisitar informações sobre a empresa. "O presidente Lula não tem nenhuma restrição. Infelizmente, nós tivemos um embate agora para que a empresa ou a relação com o Willer Tomaz não ficasse de fora desse gesto de transparência. Eles acataram depois de nós não cedermos, e nós colocamos como condicionante que eles aceitaram", acrescentou o presidente do PT. "Se o Flávio descumprir as medidas, vocês vão acompanhar pelo site, vocês vão ver quem defende a transparência ou não. Claro que o Judiciário vai tomar as medidas cabíveis, mas quem vai julgar é o povo brasileiro no domingo", destacou Edinho.
O desafio sobre a abertura dos sigilos foi proposto por Lula em debate no último domingo, 18, quando afirmou que liberaria os dados referentes a si e a seus familiares caso Flávio fizesse o mesmo. Em petição ao TSE na última quarta-feira, 21, Flávio disse que autorizaria a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos, desde que o petista também divulgasse informações financeiras, registros de pessoas próximas e dados sobre gastos e agendas do governo federal. Com a movimentação das duas campanhas no TSE, o episódio evidencia a disputa por transparência entre os candidatos às vésperas do segundo turno, com o debate da Globo servindo de prazo para a divulgação dos dados.



