Assédio eleitoral gera 4,3 mil denúncias no Ministério do Trabalho

Carteira de trabalho e desemprego | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Ministério do Trabalho recebeu 4.305 denúncias de assédio eleitoral em apenas três dias após o segundo turno das eleições
O Ministério do Trabalho informou, neste sábado (31/10), que recebeu 4.305 denúncias de assédio eleitoral no trabalho entre quarta (28/10) e sexta-feira (30/10). O canal criado para receber esses relatos passou a funcionar após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25/10), e o balanço divulgado cobre seus três primeiros dias de operação. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Jair Bolsonaro (PL). A pasta não informou quando exatamente ocorreram os episódios denunciados. O Sudeste concentra quase metade dos registros: 2.087 denúncias, o equivalente a 48,5% do total. São Paulo lidera o ranking, com 1.325 ocorrências, seguido por Rio de Janeiro (354) e Minas Gerais (345).
No restante do país, o Nordeste registrou 784 casos; o Sul, 757; o Centro-Oeste, 378; e o Norte, 299. Segundo o ministério, os casos estão sendo analisados pela Auditoria Fiscal do Trabalho, que já iniciou inspeções para apurar as denúncias recebidas. "Com base nas informações apresentadas e nas verificações realizadas, serão definidas as providências cabíveis em cada caso", informou a pasta. O governo federal, o Ministério Público e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) têm atuado de forma conjunta no combate à prática. Além do canal específico para denúncias de assédio eleitoral, outras iniciativas também estão em andamento, como notificações a plataformas digitais, entre elas Google e Meta, sobre conteúdos que incentivem perseguição política, e orientações aos trabalhadores por meio da Carteira de Trabalho Digital.
O Ministério do Trabalho também estuda a criação de uma lista pública de empregadores responsabilizados por assédio eleitoral. Trabalhadores que sofreram ou presenciaram pressão, ameaça ou discriminação por escolha política no ambiente de trabalho podem registrar denúncias pelos canais da pasta ou do Ministério Público do Trabalho (MPT), sendo garantido o sigilo dos relatos. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reforçou que empregadores não têm o direito de ameaçar nem discriminar funcionários por suas escolhas políticas. "O voto é livre e secreto, e nenhum empregador pode usar sua posição para interferir na decisão de seus empregados", disse.



