Fazenda reduz projeção do IPCA de 2026 para 4,9%

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministério da Fazenda revisa projeção do IPCA para 2026, reduzindo de 5,1% para 4,9%, com base em dados abaixo do esperado
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgou, nesta terça-feira (22/9), um relatório revisando a projeção de inflação para 2026, reduzindo-a de 5,1% para 4,9%. A revisão foi motivada pelos resultados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficaram abaixo do esperado anteriormente. Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses está em 4,22%, dentro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que possui banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo. A revisão, segundo a pasta, reflete melhorias em grupos específicos de consumo e nas expectativas econômicas. De acordo com o Ministério da Fazenda, a revisão do IPCA decorre de resultados abaixo do projetado, especialmente no grupo de alimentação no domicílio.
O relatório destaca: "Especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços. A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026". A Fazenda informou ainda que a nova projeção já considera fatores inflacionários, como o El Niño, que pode pressionar os preços dos alimentos, embora seus efeitos mais significativos devam se concentrar na safra de 2027. Além disso, a pasta esclareceu que a projeção não incorpora as medidas recentes de alívio nos preços dos combustíveis, como os subsídios e desonerações anunciados pelo governo.
Para 2027, no entanto, a projeção do IPCA foi revisada para cima, passando de 3,6% para 3,8%, levando em consideração os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano e os preços do brent, que superam US$ 100 por barril. No que diz respeito ao crescimento econômico, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 foi reduzida para 2%, com nova queda também para 2027, que passou de 2,5% para 2,3%. Segundo a SPE, a redução em 2026 está relacionada aos juros altos e à inadimplência, que afetam setores como serviços e comércio, enquanto a agropecuária ajuda a sustentar os resultados. O relatório aponta ainda preocupações com o endividamento das famílias brasileiras: "O endividamento das famílias permaneceu estável em proporção da renda entre maio e junho – próximo de 49,8% – enquanto o comprometimento da renda familiar com o serviço da dívida alcançou, em junho, o maior patamar desde o início da série, de 28,9% (ou 26,6% excluído o financiamento imobiliário), refletindo o custo elevado do crédito".
Esse cenário, segundo a SPE, limita a conversão dos ganhos reais de renda observados no aquecimento do mercado de trabalho em consumo. Mesmo com os níveis de desemprego em baixa, o alto endividamento impede que isso se reflita em maior consumo. O relatório reforça: "Ainda que o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo". O Ministério da Fazenda explica que, em 2026, o investimento tende a ganhar impulso de forma mais gradual, sustentado pela importação de bens de capital, ainda que a Selic terminal mais elevada neste ano modere esse ritmo. No cenário externo, a SPE afirma que os resultados da balança comercial ao longo do ano sustentam a expectativa de contribuição positiva das exportações líquidas para 2026, ainda que com um impulso menor do que o projetado anteriormente. Para o período de 2028 a 2030, a projeção de crescimento permanece em torno de 2,6% ao ano. A pasta destaca que esse cenário incorpora os impactos graduais das reformas estruturais em curso e de iniciativas voltadas à transição para uma economia de baixo carbono e à reindustrialização, com crescimento próximo ao potencial estimado para a economia brasileira.