
Donald Trump é ajudado pelo Serviço Secreto durante comício de campanha, em Butler, Pensilvânia, EUA - 13/07/2024/Brendan McDermid
Cerca de 30% dos americanos acreditam que Donald Trump forjou pelo menos um dos atentados sofridos por ele nos últimos dois anos. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo site de combate à desinformação NewsGuard em parceria com a empresa de pesquisa YouGov, divulgada após a mais recente tentativa de ataque contra o presidente.
As entrevistas foram realizadas dias depois do incidente no Washington Hilton, quando Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia, tentou invadir o jantar de correspondentes da Casa Branca em Washington D.C. e foi preso. O caso alimentou novas teorias da conspiração, cujo alcance a pesquisa buscou mensurar.
Nesta segunda-feira (11), Allen declarou inocência no tribunal, apesar de vídeos documentando sua movimentação no local. O levantamento ouviu 1.000 americanos entre os dias 28 de abril e 4 de maio deste ano.
A pesquisa mencionou especificamente três tentativas de assassinato contra Trump: duas ocorridas quando ele ainda era candidato, em 2024, e a terceira já durante seu segundo mandato, neste mês. Os participantes, com ao menos 18 anos, foram questionados sobre se acreditavam que cada tentativa era real, encenada ou se não tinham certeza sobre o assunto.
As três tentativas de assassinato investigadas
A primeira ocorreu em julho de 2024, quando um atirador baleou Trump de raspão na orelha durante um comício em que ele era candidato à presidência. Uma pessoa na plateia morreu, e o atirador, posicionado sobre um telhado, foi abatido.
Meses depois, em setembro daquele ano, Trump sofreu outra tentativa de assassinato. Desta vez, o suspeito estava escondido em arbustos no Trump International Golf Club, em West Palm Beach, na Flórida. Enquanto o republicano jogava golfe, um agente do Serviço Secreto percebeu o cano de uma arma saindo da vegetação e atirou contra o suspeito. O homem foi preso após tentar fugir e recebeu condenação à prisão perpétua neste ano.
O episódio mais recente aconteceu no Washington Hilton, que sediava o jantar dos correspondentes da Casa Branca, em abril deste ano. Tiros foram ouvidos minutos após Trump se sentar no salão principal. Embora a troca de tiros tenha ocorrido fora do salão onde o presidente estava, o incidente causou pânico entre os mais de dois mil convidados, entre eles jornalistas dos principais veículos dos Estados Unidos e correspondentes internacionais.
Quem estava mais perto da entrada relatou ter ouvido entre oito e dez disparos. Agentes do Serviço Secreto retiraram rapidamente Trump, a primeira-dama e o vice-presidente do local, enquanto jornalistas e convidados se abrigavam sob as mesas.
Allen havia entrado no perímetro de segurança por ser hóspede do hotel. Após a troca de tiros, os agentes o imobilizaram e prenderam. Trump publicou na Truth Social imagens do suspeito caminhando pelo prédio. Segundo autoridades, Allen estava armado com uma espingarda, uma pistola e facas.
Os números da descrença
O percentual de pessoas que afirmam ter certeza de que ao menos uma das tentativas era real ficou entre 45% e 48% para os três casos. Já o número dos que acreditam que Trump forjou os ataques variou entre 16% — no caso do incidente no campo de golfe na Flórida — e 24% para as outras duas tentativas, que ocorreram durante eventos ao vivo.
A parcela dos que disseram não ter certeza sobre o assunto oscilou entre 29% e 36%, sendo sempre superior ao número daqueles convictos de que o presidente encenou as tentativas. Quando os dados são cruzados, o NewsGuard aponta que 30% dos americanos ouvidos não acreditam em pelo menos um dos atentados.
A análise por partido revela diferenças ainda mais marcantes: 21% dos democratas acreditam que todos os atentados foram forjados por Trump, ante 11% entre os independentes e apenas 3% entre os republicanos. Entre os que acreditavam que todos os incidentes eram verdadeiros, somente 15% eram democratas, enquanto 38% eram independentes e 47% eram republicanos.
A faixa etária também influencia a percepção: 32% dos jovens entre 19 e 29 anos acreditam que Trump encenou os atentados, enquanto entre os que têm 65 anos ou mais esse percentual cai para 15%.
A descrença em torno das tentativas de atentado contra Trump alimenta teorias da conspiração tanto entre apoiadores republicanos quanto entre a oposição. Somente na rede social X, o termo "encenado" apareceu mais de 300.000 vezes após o ataque ao jantar dos correspondentes.
As teorias variam desde um suposto plano de Trump para ganhar simpatia de seus apoiadores até uma alegada estratégia para acelerar projetos pessoais, como a reforma de um salão de baile na Casa Branca.
Em todos os casos, a Justiça dos EUA concluiu que os autores agiram sozinhos. O Departamento de Justiça dos EUA acusou Allen de quatro crimes após a tentativa de atentado: agressão com arma letal a um agente americano, disparo de arma de fogo em crime violento, transporte de arma de fogo e transporte de munição interestadual com intenção de cometer crime.
Mesmo diante de imagens de câmeras de segurança registrando sua movimentação, Allen declarou inocência, por meio de sua defensora pública, nesta segunda-feira (11), perante um juiz federal. Assim como no caso do atirador da Flórida, ele pode ser sentenciado à prisão perpétua.