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A Rússia afirmou, nesta terça-feira (12), que ainda é cedo demais para discutir "detalhes concretos" sobre o encerramento da guerra na Ucrânia.
A declaração veio após o presidente Vladimir Putin ter surpreendido a todos, no fim de semana, ao afirmar que o conflito "está se aproximando do fim". Ao mesmo tempo, os dois países retomaram os ataques mútuos após o término de uma trégua de três dias proposta pelo presidente americano Donald Trump.
O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, explicou aos jornalistas que "a base acumulada em termos do processo de paz nos permite dizer que o fim se aproxima", mas que "neste contexto, não é possível, por enquanto, falar de detalhes concretos".
A declaração foi uma resposta direta às palavras de Putin no sábado (9), proferidas durante uma coletiva de imprensa realizada nas comemorações da vitória soviética sobre a Alemanha nazista. Na ocasião, o presidente russo não detalhou o que entendia por "fim do conflito" e ainda criticou o apoio dos países da Otan ao exército ucraniano.
As negociações entre Moscou e Kiev, mediadas pelos Estados Unidos, para encerrar o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, estão paralisadas desde o início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro.
Peskov reforçou, nesta terça-feira, que "o presidente disse que a Rússia segue aberta ao diálogo e que foi trabalhado um formato trilateral". Segundo ele, a ofensiva russa em grande escala, iniciada em fevereiro de 2022, "pode ser interrompida a qualquer momento, assim que o regime de Kiev assumir sua responsabilidade e tomar a decisão necessária", acrescentando que Kiev "está plenamente consciente das decisões que precisam ser tomadas".
A Rússia mantém suas exigências de concessões territoriais ao governo ucraniano, incluindo a retirada completa da região oriental do Donbass, parcialmente controlada por Moscou — condições que Kiev rejeita e classifica como uma capitulação.
Retomada dos ataques após o fim da trégua
A trégua de três dias anunciada por Trump expirou à meia-noite de terça-feira, horário local (18h de segunda-feira, 11, no horário de Brasília). Ambos os lados se acusaram mutuamente de ter violado o cessar-fogo antes mesmo do prazo final.
Pela primeira vez desde 8 de maio, um alerta aéreo soou em Kiev logo no início da manhã desta terça-feira, devido a ameaças de drones, segundo jornalistas da AFP, que registraram explosões e disparos da defesa antiaérea na capital ucraniana.
Restos de drones atingiram um edifício de 16 andares, provocando um incêndio, conforme informou o prefeito Vitali Klitschko.
O chefe da administração militar da região de Kiev, Mikola Kaláshnik, denunciou ataques contra "edifícios residenciais e instituições educativas", que não resultaram em vítimas.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, acusou a Rússia de ter decidido "pôr fim ao silêncio parcial" ao lançar "200 drones" contra o país durante a noite. "Declaramos que responderíamos a todas as medidas tomadas pela Rússia", acrescentou em uma mensagem nas redes sociais.
O exército aéreo ucraniano confirmou que a Rússia lançou 216 drones, dos quais 192 foram neutralizados.
No leste da Ucrânia, os ataques russos causaram ao menos uma morte. "Uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas. O inimigo atacou cinco distritos da região mais de 20 vezes, com drones, artilharia e bombas aéreas", escreveu o governador da região de Dnipro, Oleksandr Ganja, no Telegram.
Segundo ele, várias casas, um edifício de nove andares e diversos veículos ficaram danificados.
Por sua vez, o Ministério russo de Defesa anunciou ter derrubado 27 drones ucranianos durante a noite, após a expiração da trégua.
Com a retomada dos combates e as posições ainda distantes entre as partes, as perspectivas de um acordo de paz permanecem incertas, apesar das sinalizações de Moscou de que o conflito estaria "se aproximando do fim".