
Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos - Foto: Reprodução/X
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o envio de mais 5.000 tropas americanas para a Polônia, vinculando a decisão à sua relação com o presidente polonês Karol Nawrocki.
O anúncio foi feito pelo próprio Trump na plataforma Truth Social e representa uma reviravolta em relação a uma decisão anterior do Pentágono. Dias antes do anúncio, o Pentágono havia cancelado o envio de cerca de 4.000 tropas para a Polônia como parte de uma redução mais ampla das forças americanas na Europa. Segundo a imprensa americana, o novo comunicado de Trump pode ser justamente a reversão dessa medida.
"Com base na bem-sucedida eleição do atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, a quem tive orgulho de endossar, e em nossa relação com ele, tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos enviarão mais 5.000 tropas para a Polônia", escreveu Trump no Truth Social. De acordo com o The Wall Street Journal, Trump questionou o secretário de Defesa Pete Hegseth sobre o motivo do cancelamento anterior, alegando que os Estados Unidos não deveriam "tratar a Polônia mal" dada a proximidade entre os dois países.
O Pentágono, por sua vez, afirmou que Trump e Hegseth estão em sintonia. "O presidente Trump e o secretário Hegseth se comunicam constantemente e estão em total sintonia em relação aos movimentos de tropas americanas na Europa", disse o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em nota.
Atualmente, a Polônia abriga cerca de 10.000 tropas americanas, em sua maioria em regime de rotação, segundo o governo polonês. Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, o país se tornou um dos parceiros militares mais importantes de Washington na fronteira leste da OTAN e um hub estratégico para o fornecimento de ajuda militar ocidental a Kiev.
A Polônia se consolidou como um dos aliados mais confiáveis dos EUA na Europa. O país lidera os gastos com defesa na OTAN, destinando 4,48% do seu PIB ao setor em 2025, segundo dados da própria organização. Conforme o The Wall Street Journal, o movimento seria uma forma de Trump recompensar um aliado estratégico que compartilha sua visão de segurança mais rígida. Diferentemente de outros países europeus criticados pelo presidente americano, a Polônia demonstra disposição para ampliar seus gastos militares e alinhar-se à agenda de Washington.
O anúncio ocorre em meio a um rearranjo da presença militar americana na Europa. No início de maio, os EUA informaram que planejam retirar 5.000 tropas da Alemanha, em meio a uma discussão aberta entre Trump e o chanceler alemão Friedrich Merz. O líder alemão havia declarado que o Irã estava "humilhando" os EUA na mesa de negociações, o que gerou a reação de Trump.
A Polônia reagiu de forma positiva ao anúncio. O presidente Nawrocki agradeceu ao norte-americano, chamando a aliança polaco-americana de "pilar vital de segurança para cada lar polonês e para toda a Europa". O ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, também celebrou o reforço, destacando a solidez das relações entre os dois países.
O cenário reforça o papel central da Polônia na estratégia militar americana na Europa, especialmente diante das tensões contínuas com a Rússia e do reposicionamento das forças dos EUA no continente.