
Trabalhadores da saúde mobilizados em resposta a um surto de Ebola - Foto: Arlette Bashizi/The New York Times
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para "muito alto" o risco de a cepa Bundibugyo do Ebola se transformar em um surto nacional na República Democrática do Congo (RDC). A cepa, para a qual não existe vacina ou tratamento aprovado, foi declarada emergência de preocupação internacional pela OMS no domingo. "Agora estamos revisando nossa avaliação de risco para muito alto em nível nacional, alto em nível regional e baixo em nível global", declarou o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista a repórteres.
A atualização do nível de alerta reflete a gravidade da situação no país africano e a preocupação com a velocidade de disseminação do vírus.
Até o momento, 82 casos foram confirmados no Congo, com sete mortes confirmadas, 177 mortes suspeitas e quase 750 casos suspeitos.
Em Uganda, a situação é considerada estável, com dois casos confirmados em pessoas que viajaram da RDC, sendo um deles fatal, segundo Tedros.
"O potencial de disseminação rápida desse vírus é alto, muito alto, e isso mudou toda a dinâmica", afirmou Abdirahman Mahamud, diretor de operações de alerta e resposta a emergências de saúde da OMS.
As medidas adotadas em Uganda, incluindo o intenso rastreamento de contatos e o cancelamento de um evento de massa, parecem ter sido eficazes para conter a disseminação do vírus, segundo Tedros.
A OMS também apontou sinais iniciais de que a vigilância estava funcionando, uma vez que mais casos estavam sendo detectados.
No entanto, a organização reconheceu que está tendo de recuperar o atraso, já que o surto provavelmente começou há dois meses, mas só foi declarado na última sexta-feira.
"Estamos correndo atrás, para que possamos realmente tentar controlar esse surto. Como ele ainda está se transmitindo por enquanto, o número continuará aumentando por algum tempo", disse a representante da OMS na RDC, Anne Ancia.
Um cidadão norte-americano que trabalhava no Congo foi confirmado como portador do vírus e transferido para a Alemanha para receber tratamento.
"Também estamos cientes dos relatos de hoje sobre outro cidadão norte-americano com um contato de alto risco que foi transferido para a República Tcheca", acrescentou Tedros.
Medicamento experimental como alternativa de prevenção
A cientista-chefe da OMS, Sylvie Briand, informou que um tratamento antiviral chamado Obeldesivir poderá ser utilizado entre os contatos do Ebola para evitar que desenvolvam a doença.
O Obeldesivir é um medicamento antiviral oral experimental contra a Covid, desenvolvido pela Gilead Sciences.
"Esse é um medicamento de tratamento promissor, mas ainda precisa ser implementado sob um protocolo muito, muito rigoroso", disse Briand.
A OMS segue monitorando a evolução do surto e reforça a necessidade de respostas coordenadas entre os países da região para conter o avanço do Ebola.