
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista ao jornal "The Washington Post", publicada neste domingo, na qual afirmou que líderes democráticos precisam entregar resultados concretos à população para evitar o avanço de movimentos antissistema.
Segundo Lula, quando a democracia deixa de responder às necessidades básicas das pessoas, abre espaço para discursos populistas.
"A democracia falhou quando parou de responder às aspirações mais básicas das pessoas. Então, qualquer idiota que fala contra o sistema recebe aplausos. Isso está acontecendo em todo o mundo", declarou Lula ao jornal americano.
Na mesma entrevista, Lula comentou sobre sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a ligação deste com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente brasileiro deixou claro que não interfere nas preferências pessoais de Trump, mas demonstrou confiança em sua própria posição.
"Eu nunca pediria a Trump para não gostar do Bolsonaro. Isso é problema dele. Não preciso fazer nenhum esforço para ele saber que sou melhor que o Bolsonaro. Ele já sabe disso", afirmou Lula.
Lula também ressaltou que manter uma relação amistosa com Trump é relevante para os interesses do Brasil, sem que isso signifique alinhamento político entre os dois governos. Em conversa com jornalistas após o encontro com Trump no início deste mês, Lula afirmou que respeita o chefe da Casa Branca por ter sido eleito democraticamente. Trump, por sua vez, classificou Lula como um "bom homem".
Os dois líderes se encontraram pela primeira vez, brevemente, na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, poucos dias após a condenação de Bolsonaro. Desde então, já se reuniram mais duas vezes e conversaram por telefone em quatro ocasiões. Lula tem adotado a postura de que adversários ideológicos são capazes de negociar, buscando aproximação com Trump com base nesse argumento.
Na entrevista ao "Washington Post", o presidente brasileiro listou pontos de divergência em relação ao governo americano, como a guerra com o Irã e a intervenção na Venezuela. "Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina. Mas, minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito", disse Lula.
As declarações reforçam a estratégia do governo brasileiro de manter canais de diálogo abertos com Washington, mesmo diante de posições políticas distintas sobre temas internacionais sensíveis.