
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um conjunto de medidas econômicas que deve injetar cerca de R$ 227 bilhões na economia brasileira em 2026, ano em que o petista tentará a reeleição ao Palácio do Planalto.
Os dados foram levantados pelo CNN Money e contemplam anúncios, reforços orçamentários a programas já existentes e subsídios. Com a queda de popularidade de Lula, o governo tem mirado em diferentes frentes a poucos meses da eleição. Entre as iniciativas já anunciadas estão um novo programa de renegociação de dívidas, um pacote bilionário para segurança pública e uma série de medidas para conter a alta do preço dos combustíveis.
Parte das ações, segundo o governo, são neutras do ponto de vista fiscal, o que significa que não haverá ganho nem queda de arrecadação federal. É o caso da isenção do Imposto de Renda, que será compensada com a criação de um imposto mínimo para super-ricos, e das medidas para mitigar a alta dos combustíveis, compensadas pelo aumento da arrecadação da União com royalties e outras receitas de petróleo.
As principais medidas do pacote
Plano Brasil Soberano 2.0 (R$ 15 bilhões): a iniciativa viabiliza crédito via BNDES para apoiar empresas exportadoras.
Crédito para indústria 2.0 e bens de capital verde (R$ 10 bilhões): recursos destinados ao financiamento da difusão de tecnologias da indústria 4.0 e à produção de bens de capital voltados à economia verde, no âmbito da Nova Indústria Brasil.
Moviagrícola (R$ 10 bilhões): prevê a liberação de crédito para aquisição de tratores, implementos e colheitadeiras.
Isenção do Imposto de Renda (R$ 31 bilhões): o governo ampliou a isenção total do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e estabeleceu isenção parcial para quem recebe até R$ 7.350 por mês.
MOV (R$ 21,2 bilhões): nova versão do programa MOV Brasil que concede linhas de crédito para caminhões e ônibus.
Crédito consignado privado (R$ 22,9 bilhões): também conhecido como Crédito do Trabalhador, permite a trabalhadores do setor privado solicitar empréstimos consignados com parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento. De janeiro a 20 de março, R$ 22,9 bilhões foram liberados pela iniciativa.
Novo Modelo de Crédito Imobiliário (R$ 22,3 bilhões): cálculo do BTG Pactual estima que o programa deve injetar R$ 22,3 bilhões na economia em 2026, reformulando as regras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo para ampliar o acesso ao crédito habitacional.
Desenrola 2.0 (R$ 8,2 bilhões): programa de renegociação de dívidas que permite ao trabalhador utilizar até 20% do saldo do FGTS para essa finalidade, com estimativa de saída de até R$ 8,2 bilhões do fundo.
Reforma Casa Brasil (R$ 12,9 bilhões): reformulação das regras para contratação de crédito voltado à melhoria de moradias, com estimativa de injeção de R$ 12,9 bilhões em 2026, segundo o BTG Pactual.
Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (R$ 7,7 bilhões): o Conselho Curador do FGTS aprovou o aumento do limite de renda de todas as faixas do programa habitacional e do teto do valor dos imóveis. Somente na faixa 4, o BTG Pactual estima uma injeção de R$ 7,7 bilhões na economia em 2026.
Luz do Povo (R$ 4,3 bilhões): ampliação da tarifa social com isenção total na conta de luz para famílias inscritas no CadÚnico que consomem até 80 kWh/mês, com impacto estimado em R$ 4,3 bilhões em 2026.
Saque complementar do FGTS (R$ 8,4 bilhões): autorização de saque para trabalhadores optantes pelo saque-aniversário demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025, com desbloqueio adicional estimado em R$ 8,4 bilhões.
Gás do Povo (R$ 5,1 bilhões): distribuição gratuita de botijões de gás para 15,5 milhões de famílias, a um custo previsto de R$ 5,1 bilhões em 2026, segundo o Ministério de Minas e Energia.
Programa Brasil Contra o Crime Organizado (R$ 11 bilhões): centrado em quatro eixos — asfixia financeira, sistema prisional seguro, esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas —, com R$ 968,2 milhões em investimentos diretos e R$ 10 bilhões em financiamento via FIIS para estados e municípios.
Medidas para conter a alta do diesel (R$ 31 bilhões): concessão de subvenção de R$ 1,20 por litro de diesel importado, custeada pelos cofres públicos federais e estaduais, além de subvenção à comercialização de R$ 0,32 por litro a partir de março de 2026 e zeragem dos impostos federais sobre o combustível.
Medidas para mitigar a alta da gasolina (R$ 2,4 bilhões): subsídio de R$ 0,40 por litro do combustível, com custo de R$ 1,2 bilhão por mês para o governo federal.
Nova subvenção do diesel (R$ 3,4 bilhões): após o primeiro pacote, o governo anunciou em maio uma subvenção de R$ 0,3515 para o diesel a partir de junho, quando encerram a redução a zero dos tributos federais, com custo de R$ 1,7 bilhão mensais.