
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o tema do Pix não foi abordado em seu encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7/5), mesmo com o sistema de pagamento instantâneo brasileiro sob escrutínio do governo norte-americano por suspeitas de "práticas desleais". "Uma das razões pelas quais eu trouxe o Dario Durigan (ministro da Fazenda) foi porque eu imaginava que o Trump queria discutir o Pix. Ele não tocou no assunto. Eu também não toquei", declarou Lula. Com bom humor, o presidente acrescentou: "Espero que um dia ele faça um Pix".
Sobre a Seção 301, Lula propôs a formação de um grupo de trabalho com representantes dos dois países para resolver o impasse tarifário e comercial. "Ele não discutiu acordo da Seção 301. Nós levantamos a tese de que está havendo uma fiscalização que nós achamos que não tem procedência. Eles levantaram que o Brasil está cobrando mais impostos… Então, sugeri que colocássemos nossos ministros para, em 30 dias, resolver esse problema", disse, demonstrando otimismo quanto à possibilidade de um entendimento. Tanto integrantes do governo quanto o próprio Lula avaliaram a reunião como produtiva. O presidente brasileiro destacou que não há temas proibidos na pauta, ressalvando apenas que a democracia e a soberania nacional não estão à negociação.
O combate às facções criminosas e a exploração de terras raras e minerais críticos também estiveram na ordem do dia. Sobre segurança, Lula negou que Trump tenha levantado a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em relação às terras raras, Lula destacou o projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (6/5) e reafirmou que o Brasil não imporá restrições a países interessados em investir na extração e no beneficiamento desses minerais. "O que dissemos é que não temos veto a nenhum país que queira participar com o Brasil. O Brasil tem a obrigação de ter uma regulamentação em que sejamos soberanos e possamos compartilhar com quem queira participar conosco. O que não queremos é ser meros exportadores", pontuou.
Lula também se manifestou sobre a possibilidade de interferência norte-americana nas eleições brasileiras de outubro, descartando qualquer ingerência de Trump no processo eleitoral. "Não é uma boa política um presidente de um país interferir nas eleições de outro", afirmou após o encontro de três horas com o norte-americano. "Não acredito que ele terá qualquer influência nas eleições brasileiras, até porque é o povo brasileiro quem vota. Acho que ele se comportará como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida seu destino. É o que acontecerá", acrescentou.