
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O banqueiro Daniel Vorcaro emprestou um apartamento em São Paulo, por um período de três meses, à atual companheira do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A informação foi divulgada pelo advogado do parlamentar, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, em meio às investigações da Polícia Federal que miram o senador na operação Compliance Zero. A operação, deflagrada nesta quinta-feira, apura supostas fraudes no Banco Master e investiga possíveis relações entre seu dono, Vorcaro, e autoridades da República.
A defesa de Ciro Nogueira nega as acusações e manifestou "perplexidade" com as medidas judiciais adotadas. Sobre o empréstimo do imóvel, Kakay foi direto: "Quando a atual companheira do Ciro se separou, o Vorcaro emprestou um apartamento dele em SP por uns 3 meses para ela morar." O advogado ressaltou que a cessão foi temporária e enquadrou o episódio dentro de uma relação pessoal e institucional que considera natural entre um senador e um grande banqueiro.
Ciro Nogueira é um dos principais líderes do Centrão, presidiu a Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e atualmente ocupa a presidência do PP, sendo uma das vozes mais influentes do partido no Senado.
Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro realizava pagamentos mensais de R$ 300 mil ao senador. A defesa nega categoricamente os repasses. "Ele certamente não recebia nenhuma mesada, nem esse valor", declarou Kakay ao ser questionado sobre o assunto. Outro ponto central da investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira no Senado com o objetivo de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
De acordo com a PF, o texto da emenda foi elaborado pela assessoria do próprio Banco Master, encaminhado a Vorcaro, impresso e entregue em um envelope endereçado a "Ciro" no endereço residencial do parlamentar. A ampliação da cobertura do FGC era uma das principais estratégias do Master para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
A PF identificou ainda uma mensagem em que Vorcaro comemora o resultado: "Saiu exatamente como mandei." Ao comentar as buscas realizadas contra o senador, Kakay criticou a proporcionalidade das medidas adotadas. "Fica esse registro de uma certa perplexidade de já ter uma medida invasiva, como medida cautelar, com base tão somente, até onde podemos ver, naquilo que constava no celular de terceiros", afirmou o advogado.
A defesa também rebateu a suspeita de que empresas ligadas à família do senador teriam sido utilizadas para operacionalizar os repasses investigados. Segundo Kakay, trata-se de uma empresa "antiguíssima" e de família, que "não foi criada para nenhum repasse". Sobre a relação entre Ciro Nogueira e Vorcaro, o advogado classificou como "natural" o contato entre um "grande banqueiro na época" e um senador da República.