
Representação microscópica de partículas de hantavírus - Foto: CDC/Cynthia Goldsmith
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, na quarta-feira (6), que uma passageira infectada por hantavírus embarcou no voo 4Z132 da Airlink entre a ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, e Joanesburgo, na África do Sul, no dia 25 de abril.
A mulher estava associada ao surto identificado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa, e morreu no dia seguinte à viagem.
O caso amplia o alerta internacional sobre a doença, com autoridades sanitárias iniciando o rastreamento de contatos dos demais passageiros do voo, operado por um Embraer E190 de matrícula ZS-YAD, conforme dados da plataforma Flightradar24.
Até a data da confirmação, a OMS contabilizava oito casos suspeitos ou confirmados, sendo três deles confirmados laboratorialmente, além de três mortes associadas à infecção por hantavírus.
Primeiro caso a bordo do MV Hondius
De acordo com atualização divulgada pela OMS na segunda-feira (4), o primeiro caso relacionado ao surto envolveu um passageiro adulto que apresentou sintomas em 6 de abril, enquanto estava a bordo do MV Hondius.
O quadro clínico evoluiu rapidamente e o homem morreu em 11 de abril. O corpo foi retirado da embarcação em 24 de abril, na ilha de Santa Helena.
Segundo a OMS, nenhum teste microbiológico foi realizado nesse primeiro caso.
Morte após voo para Joanesburgo
A passageira posteriormente confirmada com hantavírus era considerada contato próximo do primeiro paciente.
Ela também desembarcou do cruzeiro em Santa Helena em 24 de abril, após apresentar sintomas gastrointestinais.
No dia seguinte, embarcou no voo da Airlink com destino a Joanesburgo, e seu estado de saúde se agravou durante o trajeto.
Após dar entrada em um serviço de emergência, a mulher morreu no dia 26 de abril. Exames laboratoriais confirmaram posteriormente a infecção por hantavírus.
"A OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que indivíduos potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada", disse o órgão.
Novo caso confirmado na Suíça
Em atualização publicada também no dia 6, a OMS informou que autoridades suíças confirmaram outro caso em um passageiro que esteve a bordo do MV Hondius.
Segundo o órgão, o paciente procurou atendimento médico em Zurique após responder a um e-mail enviado pela operadora do cruzeiro alertando sobre o evento sanitário.
O paciente estava recebendo cuidados em um hospital na cidade.
A OMS também informou que os dois primeiros casos haviam viajado pela América do Sul, incluindo a Argentina, antes de embarcarem no cruzeiro em 1º de abril.
A origem exata da exposição ao vírus ainda está sob investigação.
Segundo a BBC, três passageiros foram evacuados do navio em Cabo Verde na mesma quarta-feira (6).
O cruzeiro transportava aproximadamente 150 pessoas, e os demais passageiros não apresentavam sintomas naquele momento.
Sintomas e forma de transmissão
A OMS informou que os sintomas registrados entre os casos ocorreram entre 6 e 28 de abril e incluíram febre, sintomas gastrointestinais, progressão rápida para pneumonia, síndrome do desconforto respiratório agudo e choque.
"A infecção humana por hantavírus é adquirida principalmente por meio do contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Trata-se de uma doença rara, mas grave, que pode ser fatal", destacou a OMS.
As investigações sobre o surto seguem em andamento, incluindo a identificação da origem da exposição e o monitoramento de passageiros potencialmente expostos em diferentes países.