
Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19/5) que a instituição atravessa um momento delicado em relação ao quadro de servidores. Segundo ele, a escassez de pessoal pode obrigar a gestão a selecionar as áreas prioritárias de fiscalização, levando em conta os riscos envolvidos. Galípolo participou de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde respondeu a perguntas sobre a gestão do BC, o processo que resultou na liquidação do Banco Master, o endividamento e outros temas relevantes.
"Vou ser talvez mais franco do que eu devia: o que vai começar a acontecer é que o Banco Central, ciente que o cobertor é curto, a gente vai ter que escolher o que a gente cobre e a gente cobre. A gente vai ter que começar a fazer uma gestão de risco dizendo assim, não há pessoal para tudo", enfatizou Galípolo durante a sessão.
Para ilustrar o problema, Galípolo exibiu um gráfico com uma curva descendente, demonstrando a redução progressiva no número de servidores da autoridade monetária. O presidente do BC aproveitou a ocasião para defender a aprovação de um projeto de lei que concede autonomia orçamentária à instituição. "O que é mais sistêmico e nós vamos passar a analisar tudo. Mas deliberadamente o que tem hoje que fazer é você reduz o número de pessoas que estão olhando ali. Vou dar um exemplo quando vem o Banco Central da Europa, são 20, 30 pessoas pra fiscalizar a instituição e aqui no Brasil é uma pessoa pra fiscalizar duas ou três instituições. É disso que nós estamos falando", pontuou Galípolo.
Em outro momento da audiência, Galípolo classificou as circunstâncias que levaram à investigação de dois servidores do BC por envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como "um dos fatos mais graves ocorridos na história do BC". Os investigados são Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, ambos afastados da instituição. O Banco Master foi liquidado em 18 de novembro de 2025 após investigações sobre um esquema de títulos fraudulentos. Daniel Vorcaro encontra-se preso. O caso reforça o cenário de pressão sobre o BC, que enfrenta simultaneamente a redução de seu quadro funcional e episódios de conduta irregular entre seus servidores.