Primo de Vorcaro tem prisão analisada pelo STF
Segunda Turma do STF julga até 29 de maio se mantém prisão preventiva de Felipe Vorcaro, apontado como operador financeiro na Operação Compliance Zero.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta sexta-feira (22) o julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal aponta Felipe Vorcaro como um dos operadores financeiros do esquema investigado na Operação Compliance Zero.
O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e se estende até o dia 29 de maio. Os ministros analisarão se referendam a decisão do ministro André Mendonça, relator do caso, que converteu a prisão temporária de Felipe Vorcaro em preventiva. Felipe Vorcaro foi preso no início deste mês durante a quinta fase da operação da Polícia Federal, que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e corrupção envolvendo empresas ligadas ao grupo da família Vorcaro.
Na decisão encaminhada ao colegiado, Mendonça apontou indícios de continuidade das supostas irregularidades mesmo após o avanço das investigações. O ministro também identificou risco de reiteração criminosa, ocultação de patrimônio e possível interferência na apuração do caso. Segundo a Polícia Federal, Felipe Vorcaro integraria o chamado "núcleo financeiro-operacional" do grupo investigado, sendo responsável pela execução de movimentações financeiras e societárias consideradas suspeitas.
As investigações apontam ainda que ele participou diretamente da operação de venda de 30% da Green Investimentos para uma empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira. De acordo com os investigadores, a participação societária, avaliada em cerca de R$ 13 milhões, teria sido negociada por apenas R$ 1 milhão. O julgamento ocorre em meio às negociações de um possível acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro.
Na quarta-feira (20), a Polícia Federal rejeitou uma proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro, avaliando que ele não apresentou informações inéditas em relação ao material já reunido pela investigação. Apesar da negativa da PF, a defesa de Daniel Vorcaro segue negociando um acordo com a Procuradoria-Geral da República, que demonstrou interesse em manter as conversas. O desfecho do julgamento sobre Felipe Vorcaro e as tratativas em torno da colaboração premiada de Daniel Vorcaro devem definir os próximos passos da Operação Compliance Zero.



