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A trégua de Páscoa entre a Rússia e a Ucrânia chegou oficialmente ao fim nesta segunda-feira (13), após 32 horas de duração. Durante o período, que se estendeu das 16h00 de sábado até o final de domingo, ambos os países se acusaram mutuamente de milhares de violações do acordo, embora tenha sido observada uma diminuição nos bombardeios aéreos russos.
O cessar-fogo temporário, ordenado pelo presidente russo Vladimir Putin na quinta-feira e proposto anteriormente pelo presidente ucraniano Volodimir Zelensky, resultou apenas em uma calma relativa ao longo dos 1.200 quilômetros da linha de frente, repetindo o padrão de um acordo semelhante do ano passado.
Segundo o Exército ucraniano, foram registradas 7.696 violações por parte das forças russas até as 22h00 de domingo. Embora a Rússia tenha respeitado parcialmente o cessar-fogo, Kiev afirmou que Moscou continuou "operações de combate em determinados setores, incluindo o uso de drones FPV e drones kamikaze".
Por outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia acusou a Ucrânia de quase 2.000 violações da trégua.
Segundo Moscou, as forças ucranianas:
* Dispararam 258 vezes com artilharia ou tanques contra posições russas
* Realizaram 1.329 ataques com drones FPV ao longo da linha de frente
* Lançaram "diferentes tipos de munições" em 375 ocasiões, principalmente por meio de drones
* Conduziram "três ataques noturnos" contra posições russas e fizeram "quatro tentativas de avanço", todas supostamente frustradas pelas defesas russas
Apesar das acusações mútuas, o Estado-Maior ucraniano destacou que não foi registrado nenhum ataque russo com drones de longo alcance do tipo Shahed, bombas aéreas guiadas ou mísseis durante o período da trégua, o que representa uma redução significativa nas atividades militares habituais.
Na região de Kharkiv, o tenente-coronel Vasil Kobziak, de 32 anos, declarou à AFP na manhã de domingo que a situação em seu setor estava "bastante tranquila".
A calma relativa permitiu que soldados da 33ª brigada mecanizada participassem de uma missa de Páscoa ao ar livre, com a oportunidade de "abençoar suas cestas de Páscoa e sentir o calor e a alegria desta festividade", conforme explicou o oficial.
Zelensky havia pedido um cessar-fogo mais prolongado em seu discurso noturno de sábado, afirmando que a Ucrânia apresentou essa proposta à Rússia.
Contudo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou qualquer prorrogação, a menos que o líder ucraniano aceitasse as condições "bem conhecidas" impostas pela Rússia. "Enquanto Zelensky não tiver a coragem de assumir essa responsabilidade, a operação militar especial continuará após a expiração do cessar-fogo", acrescentou Peskov.
As exigências russas incluem concessões políticas e territoriais significativas, particularmente uma retirada total da região de Donetsk, parcialmente controlada por Moscou. Kiev rejeita essas condições, considerando-as equivalentes a uma capitulação.
Na região russa de Kursk, na fronteira com a Ucrânia, o governador Alexander Jinshtein acusou Kiev de violar o cessar-fogo ao atacar com um drone um posto de gasolina na cidade de Lgov, deixando três feridos, incluindo um bebê.
Moradores da cidade ucraniana de Zaporizhzhia mostraram-se céticos quanto às intenções da Rússia durante a trégua. "Acho que eles estão usando isso como cobertura para se reorganizar", comentou Vladyslav, de 28 anos, expressando uma desconfiança compartilhada por muitos ucranianos.
Nos últimos meses, várias rodadas de negociações mediadas pelos Estados Unidos não conseguiram aproximar as partes. O processo de paz estagnou ainda mais desde o início da guerra no Oriente Médio, com a atenção de Washington voltada para o Irã.
Mesmo antes disso, os avanços rumo a um acordo de paz já eram lentos devido a divergências sobre questões territoriais. A Ucrânia propôs congelar o conflito ao longo das atuais linhas de frente, mas a Rússia rejeitou essa proposta, exigindo o controle de toda a região de Donetsk, condição considerada inaceitável por Kiev.
O conflito entre Rússia e Ucrânia já custou centenas de milhares de vidas e forçou milhões de pessoas a deixarem suas casas, tornando-se o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, a Rússia ocupa pouco mais de 19% do território ucraniano, grande parte conquistada nas primeiras semanas da invasão.