Zanin mantém presidente do TJ como governador do RJ
Ministro Cristiano Zanin mantém presidente do TJ como governador interino enquanto Supremo decide se escolha do sucessor de Cláudio Castro será por voto direto ou indireto
O Rio de Janeiro continuará sob o comando do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida se a eleição para preencher a vaga deixada pela renúncia de Cláudio Castro será realizada por voto indireto dos deputados estaduais ou pelo voto direto da população fluminense. A decisão foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, em resposta a uma ação do PSD do ex-prefeito Eduardo Paes.
A disputa política no Rio de Janeiro intensificou-se após a renúncia de Cláudio Castro, que ocorreu pouco antes de sua possível cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-governador estava sendo investigado por desviar aproximadamente R$ 1 bilhão em recursos públicos para contratar milhares de cabos eleitorais ilegalmente, em um esquema que ficou conhecido como "cargos secretos".
A controvérsia atual gira em torno da forma como será escolhido o governador-tampão. O deputado Douglas Ruas, aliado de Castro e nome escolhido pelo PL para disputar o Palácio Guanabara em outubro, foi eleito presidente da Assembleia Legislativa e reivindica o cargo de governador interino, alegando respeito à linha sucessória.
Por outro lado, o PSD entrou com ação no STF defendendo que a escolha deve ser feita por eleição direta, permitindo que a população fluminense vote para escolher quem ocupará o cargo até as eleições regulares. Há duas semanas, o ministro Flávio Dino pediu vistas na ação que decidirá como será a escolha do governador-tampão, estendendo o prazo para a decisão final do STF.
O governo de Cláudio Castro deixou um legado controverso para o Rio de Janeiro. Além do escândalo dos "cargos secretos", sua gestão foi marcada por um rombo de quase R$ 1 bilhão no RioPrevidência, após o fundo injetar dinheiro no banco Master quando a instituição já era considerada problemática no mercado financeiro. Durante seu mandato, o Rio de Janeiro também testemunhou algumas das operações policiais mais letais da história da região metropolitana, incluindo ações que resultaram em 121 mortos na Penha e no Alemão no ano passado, 28 no Jacarezinho em maio de 2021, e diversas outras operações com alto número de vítimas.
A renúncia de Castro é vista por muitos analistas como uma manobra para que seu grupo político mantenha influência na escolha de seu sucessor, aproveitando divergências de interpretação entre a legislação eleitoral e as leis estaduais. Críticos argumentam que esta seria uma tentativa de garantir que um aliado assuma o controle da máquina pública, facilitando a vitória nas eleições de outubro. O caso expõe uma questão fundamental para a democracia fluminense: por que há tanta resistência ao voto direto? Defensores da eleição direta argumentam que negar à população o direito de escolher seu governador seria tratar o estado como propriedade privada e os cidadãos como figurantes descartáveis.
A decisão final do STF será crucial não apenas para definir quem governará o Rio de Janeiro nos próximos meses, mas também para estabelecer um precedente sobre o respeito à vontade popular em situações semelhantes. Enquanto isso, o desembargador Ricardo Couto segue como governador interino, administrando um estado marcado por crises políticas, financeiras e de segurança pública.



