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O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada na última quarta-feira (29), foi a terceira consecutiva sem alteração e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. Trata-se também da última reunião com Jerome Powell na presidência da instituição, cargo que ele deixará em 15 de maio, após oito anos no comando e em meio a atritos com Donald Trump. Esta foi a 11ª decisão de juros desde que Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, o Fed realizou três cortes de juros, em um cenário marcado por incertezas econômicas, conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano.
A guerra no Oriente Médio e a disparada do preço do petróleo no mercado global seguiram como fatores centrais na decisão desta quarta-feira. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o petróleo chegou a US$ 120 o barril, o maior nível desde 2022. Na tarde da quarta-feira, o barril do tipo Brent era cotado a US$ 118,70, representando uma alta de mais de 60% desde o início da guerra.
O fator central da disparada dos preços é o bloqueio do Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial. A região, responsável também por cerca de um quinto do comércio global de gás natural (GNL), registrou forte queda no tráfego de navios após o Irã anunciar o bloqueio e ataques a petroleiros. Diante disso, Trump chegou a pedir apoio de outros países para monitorar e "cuidar" da passagem, solicitação rejeitada por aliados europeus e asiáticos.
Na sequência, o presidente determinou que a Marinha bloqueasse a passagem de navios petroleiros ligados ao Irã que ainda circulavam pela área. Petróleo mais caro significa gasolina e diesel mais caros e, em efeito cascata, pressões sobre os preços de diversos produtos nos EUA. Dados da associação automobilística AAA mostram que o preço da gasolina já subiu mais de 40% desde que o republicano iniciou a guerra. O cenário preocupa especialmente o Fed, que tem mandato duplo: controlar a inflação e manter o mercado de trabalho aquecido.
Esta foi a última reunião de decisão de juros com Jerome Powell à frente do Fed, após oito anos no cargo. A expectativa é que o economista Kevin Warsh, indicado por Trump, esteja à frente da instituição já na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho. O nome de Warsh foi aprovado por um comitê do Senado na mesma quarta-feira, antes de seguir para votação no plenário.
Apesar do fim do mandato como presidente, Powell ainda tem cadeira garantida no Fed e pode permanecer como diretor até janeiro de 2028. A decisão sobre sua permanência na diretoria, no entanto, ainda não foi anunciada publicamente.