
Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth • Brendan Smialowski / AFP
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, enfrentará questionamentos rigorosos de parlamentares nesta quarta-feira (29) sobre o conflito no Irã, em sua primeira aparição perante o Congresso desde o início da guerra. A audiência promete ser tensa, com legisladores de ambos os partidos insatisfeitos com as informações repassadas pelo governo sobre o conflito.
Formalmente, a audiência de Pete Hegseth perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara trata do pedido do governo Trump para aumentar o orçamento de defesa dos EUA em 42%, elevando-o para US$ 1,5 trilhão até 2027. No entanto, o pano de fundo é a guerra em curso no Oriente Médio, cujos efeitos econômicos já se fazem sentir em escala global.
Além de Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, também deverá depor na ocasião. Parlamentares republicanos e democratas já manifestaram insatisfação com os informes fornecidos pelo governo em reuniões fechadas, o que aumenta a expectativa em torno da audiência pública.
"Finalmente, o Secretário Hegseth comparecerá perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara esta semana. É hora de ser responsabilizado por esta guerra autoiniciada", disse a deputada Maggie Goodlander, membro democrata do comitê, na emissora X, dos Estados Unidos.
O presidente Trump ainda não apresentou publicamente um plano para encerrar a guerra iniciada com Israel em 28 de fevereiro. O conflito levou o Irã a fechar o Estreito de Ormuz, provocando uma disparada nos preços do petróleo.
Em resposta, Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos e posicionou três porta-aviões no Oriente Médio, algo que não ocorria há mais de 20 anos. O presidente estendeu indefinidamente o que começou como um cessar-fogo de duas semanas, mas as negociações ainda não registraram nenhum avanço concreto.
No campo político, democratas da Câmara apresentaram este mês seis pedidos de impeachment contra Pete Hegseth, sem chances reais de aprovação. As acusações incluem "crimes graves e delitos menores", entre eles o de travar guerra contra o Irã sem a aprovação do Congresso.
Mais de uma dúzia de parlamentares democratas também enviou uma carta a Hegseth na semana passada exigindo uma "investigação formal e imediata" sobre a morte de seis militares americanos no Kuwait em 1º de março, alegando que o chefe do Pentágono não protegeu as forças americanas e depois "enganou o público sobre as circunstâncias do ataque".
No total, 13 militares americanos perderam a vida no conflito: seis em um ataque iraniano no Kuwait, um em outro ataque na Arábia Saudita e seis em um acidente de avião no Iraque. Outros 400 soldados ficaram feridos.
O saldo humano e as decisões que o antecederam devem ser centrais nos questionamentos dirigidos a Pete Hegseth durante a audiência.