
Foto: Roberto Rosa/Petrobras
A Rússia confirmou que pretende permanecer na Opep+ após a saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo, anunciada na terça-feira. O Kremlin expressou esperança de que a aliança de produtores de petróleo continue funcionando, mesmo diante da turbulência nos mercados globais de energia provocada pela guerra com o Irã. Os Emirados Árabes Unidos, quarto maior produtor dentro da Opep+, anunciaram sua retirada da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, expondo divisões entre as nações do Golfo Pérsico em um momento de crise energética.
A Rússia, segundo maior produtor do grupo atrás apenas da Arábia Saudita, reafirmou seu compromisso com a aliança. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, defendeu a relevância da Opep+ durante o briefing diário, destacando o papel do grupo em momentos de instabilidade. "Esse formato ajuda a minimizar substancialmente, digamos, as flutuações nos mercados de energia e possibilita a estabilização desses mercados", afirmou Peskov.
O porta-voz também disse que a Rússia respeita a decisão soberana dos Emirados Árabes Unidos, mas espera que o diálogo energético entre Moscou e o Estado do Golfo seja mantido. Peskov confirmou ainda que os Emirados Árabes Unidos não avisaram a Rússia com antecedência sobre a decisão de se retirar da Opep+. "Não, eles não nos avisaram. Essa é uma decisão soberana dos Emirados Árabes Unidos. Respeitamos essa decisão", disse ele, segundo a agência de notícias estatal RIA. A Rússia integra a Opep+ desde 2016.
O grupo foi responsável por produzir quase metade do petróleo e dos líquidos de petróleo do mundo no ano passado, de acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia.
O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, alertou que a saída dos Emirados Árabes Unidos pode levar países a aumentar a produção de forma desordenada, pressionando os preços globais do petróleo para baixo. "Se os países da Opep conduzirem suas políticas de forma descoordenada (após a saída dos Emirados Árabes Unidos) e produzirem tanto petróleo quanto suas capacidades de produção permitirem e quanto desejarem, os preços cairão na mesma proporção", declarou Siluanov. O ministro ponderou, no entanto, que os preços do petróleo têm sido sustentados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, e que qualquer risco de excesso de oferta só se tornaria concreto após a reabertura do estreito.