
Foto: Faces of the World/Flickr
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou categoricamente nesta quarta-feira (1º) que a França não foi consultada sobre a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e que não participa das operações militares, rebatendo diretamente as críticas feitas pelo presidente americano, Donald Trump. Durante uma entrevista à emissora japonesa NHK em sua visita oficial a Tóquio, Macron esclareceu a posição francesa no conflito: "É totalmente verdade que a França, que não foi consultada e que não faz parte desta operação militar lançada pelos Estados Unidos e Israel, não participa. Não há nada de novo, é assim desde o primeiro dia, portanto não há motivo para surpresa".
A declaração de Macron surge como resposta direta às acusações feitas por Trump na terça-feira (31), quando o presidente americano criticou a França por ter sido "muito pouco cooperativa" no conflito. Trump lamentou especificamente que o país europeu "não tivesse permitido que aviões com destino a Israel, carregados com material militar, sobrevoassem o território francês". O Palácio do Eliseu, sede da Presidência Francesa, já havia manifestado surpresa com estas críticas, destacando que esta posição tem sido consistente desde o início do conflito.
Macron reforçou seu apelo "à paz, à desescalada e à retomada das negociações, que são a única forma de resolver os problemas de fundo". O presidente francês elaborou sua posição afirmando que "nada seria pior do que ter bombardeado a região durante semanas e semanas e abandoná-la sem que um marco tenha sido restabelecido. O que a França defende é justamente isso, um marco de cooperação exigente". Em relação à situação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica bloqueada pelo Irã que afeta o trânsito de petróleo mundial, Macron defendeu "a reabertura ordenada, de forma importação e em consulta com todas as partes envolvidas".
O bloqueio tem consequências significativas para diversos países, incluindo o Japão, que depende fortemente do petróleo importado do Oriente Médio. Macron propôs que França e Japão, "juntamente com outros países da Ásia, Oriente Próximo e Oriente Médio ou da Europa, podem desempenhar um papel que consiste em garantir que o trânsito ocorra sem problemas através de Ormuz". O presidente francês fez questão de esclarecer que esta proposta "não se trataria de forma alguma de uma opção militar", concluindo que "podemos fazer isso com justiça porque não fazemos parte desta guerra".