
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu fortemente ao pedido do governo dos Estados Unidos para que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo deixe o território americano. O incidente ocorreu após o delegado ter monitorado o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi detido pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA (ICE).
Durante declaração a jornalistas ao deixar Hanôver, na Alemanha, Lula afirmou não ter conhecimento detalhado do ocorrido, mas não hesitou em mencionar possíveis retaliações. "Eu não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil", declarou o presidente.
O caso ganhou repercussão quando o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos publicou uma mensagem na noite de segunda-feira (20), informando oficialmente o pedido para que o delegado brasileiro deixasse o país. Na nota divulgada em sua conta na rede social X, o órgão americano afirmou: "Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso".
Vale ressaltar que, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União em 17 de março, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, já havia designado a delegada Tatiana Alves Torres para substituir Marcelo Ivo como oficial de ligação no ICE em Miami, na Flórida. O episódio evidencia tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, com Lula sinalizando que o governo brasileiro não aceitará o que considera como interferência indevida em seus assuntos. A possibilidade de reciprocidade mencionada pelo presidente sugere que agentes americanos no Brasil poderiam enfrentar medidas semelhantes caso o governo brasileiro considere que houve abuso de autoridade contra seu representante.