EUA expulsam delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem

Alexandre Ramagem durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF)
Governo americano afirma que estrangeiros "não podem manipular sistema de imigração para contornar pedidos de extradição". Delegado da PF atuava junto ao ICE em Miami.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (20/04) a expulsão de um funcionário brasileiro de seu território. Trata-se de um delegado da Polícia Federal (PF) que estaria envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA. Segundo o governo americano, o servidor teria tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica.
Na publicação feita na rede social X, o órgão americano afirmou: "Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso". De acordo com informações da TV Globo, a autoridade citada seria Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da PF nomeado em 2023 para atuar em Miami em uma missão junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos.
Uma das funções do delegado era justamente auxiliar na identificação de foragidos da Justiça brasileira em território americano. Alexandre Ramagem, ex-deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), fugiu para os Estados Unidos no ano passado para evitar o cumprimento de sua pena estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de um pedido formal de extradição aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em abril, a Polícia Federal informou que o serviço de imigração americano havia prendido Ramagem como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. No entanto, a prisão aconteceu por questões migratórias, e não como desdobramento direto do pedido de Moraes. Na ocasião, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o ex-parlamentar é "um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular". Ramagem foi detido na cidade de Orlando e solto dois dias depois.
Ao deixar a cadeia, chegou a agradecer ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e poderá aguardar em liberdade a conclusão de seu pedido de asilo político ao governo americano. Autoridades dos EUA iniciaram investigações para apurar se, ao acionar diretamente o ICE, o governo brasileiro teria tentado contornar o processo legal de extradição de Ramagem. Vale ressaltar que o responsável por deliberar sobre extradições é o Departamento de Estado americano, e não o ICE. Até o momento, a Polícia Federal e o Itamaraty não divulgaram posicionamento oficial detalhado sobre o pedido feito pelo governo americano.