
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) reagiu com indignação às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou ter convocado delegados da PF que estariam "fora da corporação" e "fingindo trabalhar". Em nota divulgada na noite de quinta-feira (23/4), a entidade classificou as críticas do petista como infundadas e acusou o presidente de simplificar indevidamente o tema da segurança pública. As declarações de Lula geraram forte descontentamento entre os delegados da Polícia Federal. A ADPF defendeu o trabalho dos servidores cedidos a outros órgãos e contestou especificamente a afirmação sobre a convocação desses profissionais para "derrotar o crime organizado".
Segundo a associação, não se pode induzir a população a acreditar que apenas essa medida seria suficiente para resolver os problemas de segurança no país. Em sua declaração à imprensa na quinta-feira, o presidente Lula criticou duramente a Polícia Federal, afirmando que os delegados que estão "fingindo trabalhar" terão que retornar à corporação. "Só vão ficar fora aqueles que forem secretários de Estado. Mas aqueles agentes, ou delegados, que estão aí em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado neste país. E nós precisamos de todos os delegados, todos os agentes trabalhando para prender bandido neste país", declarou o chefe do Executivo.
De acordo com o comunicado da ADPF, as falas do presidente "colocam em dúvida o comprometimento de delegados da PF" e "simplificam indevidamente o tema segurança pública e o combate ao crime organizado". A associação demonstrou preocupação com a forma como as declarações podem ser interpretadas pela população. Esta polêmica ocorre na mesma semana em que o governo autorizou a nomeação de mil novos policiais federais, uma medida que visa fortalecer o efetivo da corporação no combate ao crime organizado. No entanto, o atrito entre o presidente e os delegados da PF pode comprometer os esforços de cooperação necessários para enfrentar os desafios da segurança pública no Brasil.
A tensão entre o governo Lula e a Polícia Federal evidencia os desafios na relação entre o Executivo e as forças de segurança, especialmente em um momento em que o país enfrenta graves problemas relacionados ao crime organizado e necessita de uma atuação coordenada e eficiente de todas as instituições envolvidas no combate à criminalidade.