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O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, enfrenta nesta quarta-feira (29) a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa decisiva para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao colegiado após cinco meses de resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
A sessão, com início previsto para as 9h, deve ser marcada por questionamentos sobre temas como anistia, aborto, descriminalização de drogas e a crise ética que envolve a Suprema Corte. Para avançar ao plenário, Jorge Messias precisa do apoio de pelo menos 14 dos 27 membros da comissão. Independentemente do parecer da CCJ, o nome do ministro será obrigatoriamente submetido a todos os senadores, etapa em que necessita de maioria absoluta, ou seja, 41 dos 81 votos. As projeções da articulação política do governo e da equipe do próprio ministro apontam um cenário favorável, com estimativa de ao menos 45 votos no escrutínio secreto — uma margem considerada estreita e sem espaço para erros.
O processo ocorre em meio a uma intensa movimentação do Palácio do Planalto para garantir o alinhamento parlamentar, com a liberação de aproximadamente R$ 12 bilhões em emendas nas últimas 48 horas. Apesar do esforço, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, negou a existência de um "acordão" que vincularia a aprovação de Jorge Messias à derrubada do veto sobre a dosimetria de penas, cuja votação está prevista para quinta-feira.
A articulação governista ainda enfrenta resistências. Alcolumbre manteve distância do indicado, não o recebeu e evitou qualquer demonstração de apoio explícito à sua aprovação. No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, foi orientado a adotar um tom cauteloso durante o processo e liberou os parlamentares aliados para votarem conforme suas próprias convicções, refletindo o complexo xadrez político do plenário.