
Crianças no ambiente digital - - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A Grécia anunciou uma medida significativa para proteger crianças e adolescentes dos efeitos negativos das redes sociais. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis revelou que o país proibirá o acesso de menores de 15 anos às plataformas digitais a partir de 2027, tornando-se um dos pioneiros na Europa a implementar tal restrição. A decisão foi anunciada por Mitsotakis nesta quarta-feira (8), que classificou a medida como "difícil, mas essencial" para proteger os jovens. A proposta será votada durante o verão do hemisfério norte, e caso aprovada, entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2027.
A Grécia não está sozinha nesta iniciativa de regular o acesso de menores às redes sociais. A Austrália foi o primeiro país a legislar sobre o tema, proibindo menores de 16 anos de utilizarem as principais plataformas digitais.
A justificativa australiana baseia-se na necessidade de proteger os jovens contra "algoritmos predatórios" e cyberbullying. As principais plataformas como Facebook, Instagram, X, Threads, Snapchat, TikTok e Twitch já se adequaram à legislação australiana, sob risco de receberem multas que podem chegar a 28 milhões de euros (aproximadamente 167 milhões de reais).
O movimento por maior proteção dos jovens nas redes sociais ganha força globalmente. Países como Espanha, França, Portugal e Dinamarca, além de Índia e México, também estudam restrições semelhantes. A União Europeia como um todo está considerando adotar medidas nesse sentido.
Curiosamente, o primeiro-ministro grego escolheu justamente o TikTok como plataforma para explicar aos jovens os motivos da proibição. "A ciência é categórica: quando uma criança passa horas em frente a uma tela, o cérebro não descansa", argumentou Mitsotakis. Ele também mencionou que "muitas crianças me dizem que estão cansadas de tanta comparação, dos comentários, da pressão para estarem sempre presentes".
Em sua mensagem aos pais, o primeiro-ministro da Grécia enfatizou que a proibição é apenas "uma ferramenta, que nunca substituirá a presença deles" na educação digital e proteção dos filhos.
A decisão da Grécia reflete uma preocupação crescente com os impactos das redes sociais na saúde mental e no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Especialistas têm alertado para os riscos associados ao uso excessivo dessas plataformas, incluindo problemas de autoestima, distúrbios de sono e dependência digital.