
Bombardeio israelense em Beirute, capital do Líbano - Foto: Montagem/Reprodução/X
O Irã ameaçou cancelar o acordo de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos caso Israel não interrompa seus ataques contra o Líbano. A informação foi divulgada pela agência de notícias Tasnim.
De acordo com uma fonte iraniana, a suspensão das hostilidades em todas as frentes, incluindo contra a resistência islâmica no Líbano, havia sido aceita pelos Estados Unidos no plano de cessar-fogo de duas semanas. No entanto, Israel realizou bombardeios no território libanês, o que foi considerado pelo Irã como "clara violação do cessar-fogo".
"A cessação da guerra em todas as frentes, inclusive contra a heroica resistência islâmica no Líbano, foi aceita pelos Estados Unidos no plano de cessar-fogo de duas semanas, mas o regime sionista realizou ataques brutais contra o Líbano desde esta manhã, em clara violação do cessar-fogo", afirmou a fonte à agência Tasnim.
A situação se tornou mais confusa após declarações contraditórias sobre a abrangência do acordo. Enquanto agências internacionais noticiaram na terça-feira (7) que o cessar-fogo incluía o Líbano, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente americano Donald Trump afirmaram no dia seguinte que o país não fazia parte do acordo.
A fonte iraniana também revelou que, enquanto o governo avalia a possibilidade de abandonar o acordo, as forças armadas do país "estão definindo alvos para responder às agressões" contra o Líbano. Em tom de ameaça, acrescentou: "Se os Estados Unidos não conseguirem controlar seu cão feroz na região, o Irã os ajudará excepcionalmente nesse sentido! E com força".
Mesmo após o anúncio do cessar-fogo com o Irã, Israel continuou realizando bombardeios no sul do Líbano nesta quinta-feira (8). Moradores de Tiro, cidade no sul do país, foram orientados a deixarem suas casas e se deslocarem para o norte do rio Zahrani. Enquanto isso, o Hezbollah, alvo dos ataques israelenses no Líbano, havia interrompido suas operações contra o norte de Israel e contra tropas israelenses como parte do acordo, segundo fontes libanesas consultadas pela agência Reuters.
O cessar-fogo foi inicialmente anunciado por Donald Trump em sua rede social Truth Social. O presidente americano detalhou que a interrupção das operações ofensivas estava condicionada à garantia do Irã de permitir uma abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz. Trump destacou que a medida estabelecia um cessar-fogo bilateral, justificando a pausa pela conclusão bem-sucedida dos objetivos militares preliminares.
Segundo o mandatário americano, o cenário atual permitiria um progresso significativo em direção a um acordo definitivo que visasse a paz de longo prazo entre as nações envolvidas e a estabilidade na região do Oriente Médio. A proposta de suspensão das hostilidades teria sido motivada, em parte, por apelos diretos das lideranças do Paquistão, que solicitaram a contenção do envio de forças destrutivas ao território iraniano para evitar uma escalada ainda maior do conflito iniciado no final de fevereiro.
A tensão entre Irã e Israel, com os Estados Unidos como mediador, continua a ser um fator de instabilidade na região, especialmente com o envolvimento do Líbano e grupos como o Hezbollah na equação do conflito.