
Policiais da CORE da Polícia Civil durante uma operação - Foto: Divulgação/Sejusp MG
Avanço de organizações criminosas pressiona o sistema prisional e reforça ações de inteligência e combate financeiro no estado
O número de presos vinculados a facções criminosas em Minas Gerais cresceu cerca de 68% entre 2019 e março de 2026, segundo dados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O total passou de aproximadamente 1.900 para cerca de 3.200 detentos no período.
De acordo com as autoridades, o avanço está associado à expansão de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), que consolidaram presença no estado, especialmente em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.
Minas Gerais passou a ocupar posição estratégica para essas facções, deixando de ser apenas rota secundária. A localização do estado, com ligação a diferentes regiões do país, favorece o uso do território para o tráfico de drogas e armas, inclusive com conexões internacionais.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Rogério Greco, grande parte das lideranças ligadas a crimes em Minas está fora do estado, principalmente no Rio de Janeiro. Ele também afirma que as facções atuam de formas distintas: enquanto grupos fluminenses buscam controle territorial, o PCC opera de maneira descentralizada.
As ações de combate têm priorizado o enfraquecimento financeiro dessas organizações, além do monitoramento dentro do sistema prisional. Operações recentes mobilizaram cerca de 2.000 policiais penais para reforçar a inteligência nas unidades, com apreensão de celulares e interceptação de comunicações.
Investigações também apontam o uso da malha fluvial para lavagem de dinheiro e indicam ligações com o tráfico internacional. Casos recentes incluem a prisão de suspeitos no exterior, associados ao envio de drogas para outros continentes.
Apesar do crescimento das facções, o governo estadual afirma que mantém o controle da situação e aposta na integração entre forças de segurança para conter o avanço do crime organizado. Especialistas, no entanto, apontam que o cenário representa um desafio estrutural, com impactos diretos na segurança pública e na dinâmica urbana do estado.