
vista de satélite do Estreito de Ormuz, localizado no Oriente Médio
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o futuro do Estreito de Ormuz será determinado em conjunto pelo Irã e Omã, ressaltando que a importante via marítima "está nas águas internas" dos dois países. A declaração surge em meio a tensões crescentes e após ameaças dos Estados Unidos de assumir o controle do estreito, com o ex-presidente Donald Trump chegando a renomeá-lo como "Estreito Trump". Em entrevista concedida à rede de notícias Al Jazeera, Araghchi esclareceu a posição iraniana sobre o Estreito de Ormuz durante o atual conflito regional. Ele enfatizou que a via marítima continua aberta para a navegação internacional, porém com restrições específicas.
"Durante a guerra, não podemos permitir a passagem daqueles que estão em guerra conosco", afirmou o chanceler iraniano, explicando a postura de seu país. * Araghchi destacou que embarcações de nações consideradas "amigas" do Irã têm recebido autorização para transitar pelo estreito mediante acordos específicos, garantindo assim a continuidade parcial do fluxo comercial.
O ministro negou categoricamente a existência de negociações diretas com os Estados Unidos, esclarecendo que há apenas troca de mensagens entre as partes, inclusive por meio de intermediários: "Neste momento, não há negociação entre nós". Sobre supostas propostas diplomáticas, como um plano americano de 15 pontos mencionado pela imprensa internacional, Araghchi classificou tais informações como meras especulações, afirmando que nenhuma proposta formal foi respondida por Teerã.
O representante iraniano reiterou que seu país não aceita cessar-fogo nas atuais circunstâncias e estabeleceu condições claras para qualquer diálogo futuro: o fim completo do conflito na região, garantias contra novos ataques e compensações pelos danos sofridos. "Não há base para negociação", declarou enfaticamente, rejeitando também os prazos impostos por Washington: "Não aceitamos deadlines".
Araghchi também afirmou que o Irã está preparado para um confronto prolongado, se necessário, e que continuará a atingir alvos americanos na região. Contudo, negou que seu país esteja realizando ataques deliberados contra nações vizinhas. Em desenvolvimento paralelo, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, manifestou apoio à posição iraniana, declarando que qualquer iniciativa relacionada à navegação no Estreito de Ormuz deve fundamentar-se no consenso entre os países litorâneos.
Segundo a representante russa, transferir o controle a terceiros ou estabelecer mecanismos supranacionais sem o consentimento unânime dos Estados do Golfo "não contribuirá para a desescalada" das tensões regionais. A situação do Estreito de Ormuz permanece como ponto crítico nas relações internacionais, especialmente considerando sua importância estratégica para o comércio global de petróleo. As declarações do ministro iraniano reforçam a posição de que o futuro desta via marítima deve ser decidido pelos países que compartilham sua soberania, rejeitando interferências externas no processo.