
Manifestação popular em La Paz, Bolívia © Central Obrera Boliviana/Divulgação
Em meio a quatro semanas de intensos protestos, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou que reduzirá seu salário à metade, assim como o de seus ministros, numa tentativa de acalmar a crise que se arrasta em La Paz. "Este presidente tomou a decisão, como parte do esforço e do compromisso com o país, de reduzir seu salário em 50%", declarou Rodrigo Paz durante um ato cívico na cidade de Sucre, nesta segunda-feira (25).
O salário do presidente boliviano é de aproximadamente 24 mil bolivianos — cerca de 3.448 dólares (R$ 17.291) —, conforme estabelecido por um decreto de 2024 que não foi alterado. Rodrigo Paz, economista de formação, é oriundo de uma família abastada com longa tradição política no país.
Com a promessa de romper com 20 anos de políticas de esquerda de seus antecessores Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2002-2025), Rodrigo Paz estreitou laços com os Estados Unidos, organismos financeiros internacionais e o setor empresarial, ao mesmo tempo em que se afastou dos sindicatos.
A Bolívia atravessa a pior crise econômica em quatro décadas. Desde o início de maio, sindicatos de agricultores, garimpeiros, professores e operários de fábricas mantêm protestos contínuos contra o governo. Além de marchas quase diárias, registram-se cerca de 50 bloqueios de estradas em todo o território nacional, de acordo com dados oficiais. As manifestações já provocaram desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustível, com impacto mais severo nas cidades de La Paz e sua vizinha El Alto, além de Oruro, no oeste, e Cochabamba, no centro do país.
A decisão de Rodrigo Paz de cortar seu próprio salário representa uma tentativa simbólica de demonstrar comprometimento diante de uma população que enfrenta dificuldades crescentes, mas ainda não há sinais de que a medida será suficiente para encerrar os protestos.