
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e figura central no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, escolheu Minas Gerais como base para tentar retornar à política. Agora filiado ao Republicanos, o político carioca explicou em entrevista ao O Tempo suas motivações para a mudança de domicílio eleitoral e suas perspectivas políticas.
Cunha explicou que sua decisão de deixar o Rio de Janeiro, onde foi deputado federal por quatro mandatos, está relacionada ao fato de sua filha atualmente ocupar uma cadeira como deputada federal pelo estado fluminense. "Obviamente que eu não permaneceria no Rio de Janeiro porque eu não iria competir com a minha própria filha", afirmou o ex-parlamentar.
Segundo ele, a acolhida do povo mineiro foi um fator determinante para sua escolha: "Eu vi a acolhida do povo mineiro — bastante acolhedor com a minha caminhada por aqui. Isso realmente me estimulou muito". Cunha também mencionou que possui familiares com investimentos em Minas Gerais e que trouxe para o estado a rede de rádio evangélica que mantinha no Rio de Janeiro. * "Eu mudei fisicamente para Minas Gerais já há algum tempo, morando em Belo Horizonte", garantiu, rebatendo questionamentos sobre a legitimidade de seu domicílio eleitoral.
O ex-presidente da Câmara destacou ainda que Minas Gerais é um estado estratégico por fazer fronteira com seis outros estados e representar uma "mediana do Brasil", inclusive no que diz respeito aos resultados eleitorais. "Pelo meu perfil nacional, eu achei que Minas Gerais poderia representar bem a possibilidade de poder me acolher numa candidatura", explicou.
Eduardo Cunha relatou os desafios enfrentados para definir sua filiação partidária, criticando o atual modelo eleitoral brasileiro: "Os partidos têm que fazer nominata para eleger. Um deputado que vai fazer 100.000 votos, por exemplo, ele tem que usar 110.000 da legenda. Então os partidos, hoje, os deputados que estão nos partidos não querem outro deputado no partido, a não ser que ele faça mais que o quociente de legenda, senão ele corre o risco de perder o mandato para esse que está entrando", explicou.
O político defendeu a adoção do sistema conhecido como "distritão", no qual os candidatos mais votados são eleitos independentemente do partido. "Os 53 mais votados têm que entrar. Isso o povo entende e é a coisa que permite que cada um escolha o partido que quer, que tem afinidade, sem se preocupar com nominata", argumentou.
Impeachment de Dilma e legado político Cunha não demonstrou arrependimento por seu papel no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff: "Eu não me arrependo de nada. Mesmo o seguinte: se você me perguntar "se você, sabendo o que aconteceu com você, você mudaria sua posição?", não, não mudaria, faria a mesma coisa". * Ele destacou que sua atuação foi determinante para o cenário político atual: "Se eu não tivesse feito o impeachment, não teria existido Bolsonaro presidente da República e nenhum desses expoentes da direita que aí estão, estariam hoje com alguma proeminência".