
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente Lula expressou preocupação sobre a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial durante entrevista ao jornal espanhol "El País". Segundo o presidente brasileiro, um conflito global "é possível se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um", fazendo referência indireta às tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, além dos posicionamentos de Donald Trump no conflito.
Lula alertou para as consequências devastadoras de um possível conflito global: "Uma Terceira Guerra Mundial será uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda". Durante a entrevista, o presidente brasileiro abordou diversos temas relacionados à política internacional, especialmente sobre as relações com os Estados Unidos e sua postura diante de intervenções militares.
Quando questionado se temia possíveis intervenções norte-americanas no Brasil, Lula demonstrou confiança na soberania nacional: "Eu me considero seguro. Minha disputa com qualquer país do mundo não é pela guerra, aqui tem democracia, queremos da forma mais civilizada do mundo negociar em uma mesa. Nenhum país tem o direito de ferir a integridade territorial de outro país". Sobre os atritos comerciais com os Estados Unidos durante a gestão Trump, o presidente brasileiro revelou que precisou exercitar "muita paciência" diante de argumentos que, segundo ele, "não foram verdadeiros".
Lula mencionou que o então presidente americano "tentava falar de uma força militar que não me interessava, porque não queria guerra com os Estados Unidos". O presidente brasileiro compartilhou detalhes de sua comunicação direta com Trump: "Disse para ele textualmente que era importante que dois países governados por dois homens com 80 anos de idade precisam ter muita maturidade na hora de conversar. Nunca pedi para ele concordar ideologicamente comigo, como não concordo com ele, mas dois chefes de Estado não precisam pensar ideologicamente, precisam pensar como chefes de Estado".
Em relação à situação na Venezuela, Lula criticou a intervenção militar realizada pelos Estados Unidos no início do ano, que resultou na prisão do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cília Flores. "O PT, meu partido, meu país e os democratas dele defenderam a posse de Delcy [Rodríguez, atual presidente venezuelana] porque ela tinha direito por ser vice-presidente", afirmou. O presidente brasileiro defendeu um processo eleitoral pactuado com a oposição venezuelana para que "ao terminar as eleições, o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter um país".
Lula foi enfático ao criticar a postura intervencionista americana: "O que não dá é os Estados Unidos acharem que eles podem administrar a Venezuela, isso não é normal, não tem paradeiro na democracia". Durante a entrevista, Lula também abordou a situação de Cuba, criticando as sanções econômicas e restrições à exportação de petróleo impostas à ilha caribenha, especialmente durante o governo Trump. "Cuba é uma coisa muito preciosa para nós, porque não há uma explicação para um bloqueio durante 70 anos", declarou. O presidente questionou a seletividade da preocupação internacional: "Se as pessoas que não gostam de Cuba têm uma preocupação com o povo cubano, por que elas não têm preocupação com o Haiti?". Para Lula, o que Cuba necessita é de "chance de fazer as coisas", indagando: "Como pode sobreviver um país que está comprometido a não receber alimento, combustível e energia?".
As declarações de Lula reforçam sua visão de política internacional baseada no diálogo e na soberania nacional, criticando intervenções militares e sanções econômicas como ferramentas de política externa. O presidente brasileiro mantém sua posição de defesa da resolução pacífica de conflitos, mesmo diante de tensões geopolíticas crescentes.