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O Banco de Brasília (BRB) aprovou nesta quarta-feira (22) o aumento do seu capital social em até R$ 8,8 bilhões. A decisão foi tomada durante uma assembleia com acionistas, em um momento crucial para a instituição que busca recuperar seu balanço patrimonial afetado pelo caso Banco Master. A assembleia também teve como objetivo homologar a indicação do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros do BRB, formalização que estava pendente desde o final do ano passado.
Na segunda-feira (20), o BRB havia anunciado a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento destinado à transferência de ativos atualmente detidos pela instituição. Esses ativos têm origem em operações recebidas pelo BRB do Banco Master. Segundo informações divulgadas pelo banco, a operação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões.
Desse montante, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista, representando uma injeção imediata de capital para a instituição. O valor restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado especificamente para administrar e monetizar esses ativos. A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o acordo na terça-feira (21), afirmando que a medida demonstra a "responsabilidade e seriedade como nós estamos tratando esse momento" de crise na instituição financeira. A crise no BRB teve início após a aquisição de aproximadamente R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude.
O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária estabelecidas pelos órgãos reguladores. Com o avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense.
Essa decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público, piorando o balanço patrimonial do BRB e colocando em xeque o atendimento às regras bancárias vigentes no país. Mesmo com as declarações do BRB afirmando possuir solidez e um plano de capital estruturado, o mercado continua demonstrando desconfiança em relação à situação da instituição financeira.