
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
O Brasil registrou um déficit de US$ 6 bilhões em suas contas externas durante o mês de março, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (24/4). Este valor representa mais que o dobro do déficit de US$ 2,9 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior, de acordo com o relatório de estatísticas do setor externo publicado pela autoridade monetária. No acumulado de 12 meses até março, o déficit nas contas externas brasileiras alcançou US$ 64,3 bilhões, superando os US$ 61,2 bilhões contabilizados até fevereiro.
O Banco Central atribui este aumento principalmente a três fatores. Uma redução de US$ 1,6 bilhão no superávit comercial de bens, que caiu para US$ 5,6 bilhões em março de 2026, comparado aos US$ 7,2 bilhões do mesmo período de 2025. Esta diminuição resultou de um crescimento mais acelerado das importações (19,9%, totalizando US$ 26,1 bilhões) em relação às exportações (9,5%, somando US$ 31,7 bilhões).
Um aumento de US$ 1,1 bilhão no déficit da renda primária, que inclui remessas de lucros e dividendos para o exterior. Uma elevação de US$ 0,6 bilhão no déficit de serviços, que atingiu US$ 4,8 bilhões, representando um crescimento anual de 14,5%. Para o cálculo mensal das transações correntes, o Banco Central considera o saldo da balança comercial (diferença entre exportações e importações), os serviços e a movimentação de renda para outros países. Em relação aos Investimentos Diretos no País (IDP), o relatório do BC apontou um valor de US$ 6 bilhões em março deste ano, ligeiramente abaixo dos US$ 6,3 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.
No acumulado de 12 meses até março, o investimento direto somou US$ 75,7 bilhões, correspondendo a 3,18% do Produto Interno Bruto (PIB). Em fevereiro de 2026, o IDP havia ficado em US$ 75,9 bilhões. O IDP representa a entrada de capital estrangeiro de longo prazo na economia real, como abertura de empresas, construção de fábricas ou aquisição de participações em negócios.
Diferentemente dos investimentos especulativos, o IDP indica intenção de permanência, englobando participação no capital e empréstimos entre empresas. Outro dado relevante divulgado pelo Banco Central foi o recorde histórico de gastos de brasileiros no exterior. No primeiro trimestre deste ano, esses gastos somaram US$ 6,04 bilhões, um aumento de 21,9% em comparação ao mesmo período de 2025.
Este é o maior valor já registrado para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995. Apenas em março, os gastos de brasileiros fora do país atingiram US$ 1,99 bilhão, também estabelecendo um recorde histórico para o mês. O déficit crescente nas contas externas brasileiras, combinado com a redução no superávit comercial e o aumento nos gastos de brasileiros no exterior, aponta para desafios na gestão do equilíbrio econômico do país, embora o nível de investimentos diretos ainda se mantenha relativamente estável.