Familiares das 272 vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho mantêm esperança por justiça no início das audiências no TRF-6

Julgamento de Brumadinho começa após 7 anos de espera
O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) inicia nesta segunda-feira (23/2) o julgamento do caso Brumadinho, marcando um momento histórico para as famílias das 272 vítimas do rompimento da barragem da mina de Córrego do Feijão, ocorrido em 2019.
Maria Regina da Silva, vice-presidente da Associação dos familiares das vítimas e atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho (Avabrum), expressa o sentimento de esperança após sete anos de espera. “São sete anos. A gente nem acredita que chegamos neste lugar em que estamos hoje. Foi muita luta, muitas idas a Brasília, muita briga para que esse processo chegasse nesse lugar em que ele está hoje”, afirma. As informações são do Estado de Minas.
O processo, considerado um dos maiores da história da Justiça Federal, apresenta as seguintes características:
* Serão realizadas 76 audiências de instrução, com previsão de conclusão até maio de 2027
* 17 réus estão envolvidos, incluindo a Vale, a TÜV SÜD e 16 ex-executivos
* Os acusados respondem por crimes de homicídio e ambientais
* As sessões acontecerão na sede do TRF-6, em Belo Horizonte
O advogado Pablo Martins, que atua como assistente de acusação da Avabrum, destaca que o processo teve início em 2020 e enfrentou diversos desafios, incluindo a transferência da competência da Justiça Estadual para a Federal.
A tragédia de Brumadinho resultou em impactos devastadores:
* Liberação de 12 milhões de metros cúbicos de lama
* 272 vidas perdidas
* Destruição ambiental significativa na Bacia do Paraopeba
* Impactos em mais de 20 municípios
* Danos à vegetação, fauna e recursos hídricos
* Prejuízos socioeconômicos em toda a região metropolitana de Belo Horizonte
O início das audiências representa um marco importante na busca por justiça, com as famílias mantendo a esperança de que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados pelos crimes cometidos. “Hoje sentimos um certo alívio e acreditamos na justiça. Nunca tivemos dúvidas que chegaríamos a esse momento”, conclui Maria Regina.